Análise técnica: o mapa do que existe e o que vira regra
Tudo o que a análise técnica tem, em seis famílias (gráfico, tendência, osciladores, setups, figuras, saídas), o que cada ferramenta mede e onde está explicada.
Por Marcelo Hoepfner

Análise técnica é o estudo do preço e do volume para decidir quando entrar e quando sair. Tem cem anos, centenas de ferramentas e um problema: a maioria das pessoas aprende dez indicadores e nenhuma regra. Este é o mapa do que existe, organizado por pergunta, com o que cada ferramenta mede e onde está explicada neste blog. Não é um curso; é um índice para quem quer saber o que escolher e por quê. Como a análise técnica se diferencia da fundamentalista, e por que os robôs vivem da primeira, está em Análise técnica e fundamentalista.
1. O gráfico: como o preço é mostrado
Antes de qualquer indicador, a forma de olhar. Os tipos de gráfico (linha, barra, candle, e os que avançam pelo preço, como o Renko e o Heikin Ashi); a escala aritmética e logarítmica; e a base de tudo, a Teoria de Dow em uma página, que define o que é tendência.
2. A tendência: para onde e com que força
A pergunta mais antiga. As ferramentas medem direção, força ou as duas:
- Direção: médias móveis e cruzamento de médias, a KAMA, o MACD, o Ichimoku, a agulhada do Didi.
- Força: o ADX, o Aroon, o Bears Power e Bulls Power.
- Linhas que seguem o preço: o SuperTrend, o HiLo Activator, o NRTR, o SAR parabólico.
- Referências do dia: a VWAP, os pivot points e níveis do dia anterior.
Uso mais comum num robô: filtro. A tendência raramente é o gatilho; é o que libera ou trava os outros.
3. Os osciladores: esticado ou não
Medem quanto o preço se afastou do "normal" recente, numa escala fixa:
IFR, estocástico, Williams %R, CCI, MFI, DeMarker, RVI, ROC, oscilador de momento de Chande, Ultimate Oscillator, QQE. E as bandas, que são osciladores desenhados no preço: Bandas de Bollinger e canal de Keltner.
O cuidado de todos: em tendência, "esticado" continua esticando. O oscilador serve para reversão à média em mercado que reverte, e para filtro de posição na faixa em mercado que anda.
4. Os setups: a regra pronta
Um setup é uma condição de entrada com stop e alvo definidos. Os mais programados:
- De tendência: o setup 9.1 e os 9.2, 9.3 e 9.4, o Ponto Contínuo, o upbar e downbar de Dunnigan, o rompimento de máximas e mínimas.
- De reversão: o setup 123, o FFFD, o inside bar.
- De abertura: o gap de abertura, e o que muda quando o ativo é o mini-índice.
- O mapa de um autor: os setups de Larry Williams.

5. Os candles e as figuras: o desenho
O que o preço desenha, e o que o desenho costuma preceder: os padrões básicos de candle, a psicologia por trás de um candle, os padrões de continuação e de reversão; as figuras de continuidade e de reversão, os gaps, o Fibonacci, as ondas de Elliott e os conceitos que ganharam nome novo, o Smart Money Concepts. E o que está por trás do preço, o fluxo de ordens.
O cuidado: uma figura "só existe depois do rompimento", e o que vira regra é o critério objetivo (o candle, o nível, o vão), nunca a narrativa.
6. As saídas: onde a maioria perde
A análise técnica é ensinada como arte de entrar; o resultado vem de sair. As ferramentas: o stop móvel, o trailing stop e o stop ATR, o breakeven, a realização parcial, o stop no tempo. Nenhuma delas aparece no gráfico como indicador, e todas mudam o resultado de qualquer setup acima.
O que vira regra, e o que não vira
Vira regra o que se calcula a partir de abertura, máxima, mínima, fechamento e volume: um cruzamento, um nível, um valor de oscilador, um candle com critério. Não vira regra o que depende de "parecer": a tendência "clara", o topo "forte", a figura "bonita". Uma regra escrita é a fronteira entre análise técnica e opinião com gráfico, e o que precisa estar nela está em Da estratégia manual ao robô.
Do outro lado da regra vem o teste, que é o assunto de outra família de artigos: Backtest, forward test e walk-forward, Otimização de parâmetros e overfitting e Fator de lucro, payoff e taxa de acerto.
Por onde começar
Uma ferramenta de cada família, a mais simples: uma média para a tendência, o IFR para o esticado, um setup de candle, um stop móvel. Com quatro peças dá para escrever uma regra completa e testar. Com quarenta, não dá para escrever nenhuma. Os livros que ensinam a pensar assim estão em Livros de análise técnica: por onde começar, e o que fazemos com tudo isso, em regras que rodam com histórico publicado, está nas nossas estratégias na OnTick e no Centurion, onde a maior parte das ferramentas desta página é um bloco.


