Análise técnica · MetaTrader 5

SuperTrend: a linha que segue a tendência pelo ATR

Uma linha só, acima ou abaixo do preço, calculada pela amplitude média. Como é construída, por que serve de stop e de sinal, e o que os dois parâmetros fazem.

O SuperTrend virou popular por ser fácil de ler: uma linha só, verde abaixo do preço quando a tendência é de alta, vermelha acima quando é de baixa. A linha vira de lado quando o preço a cruza. Por trás da simplicidade há uma conta baseada no ATR, a amplitude média dos candles, que é o que faz a linha se adaptar à volatilidade.

Como é construído

  1. Calcule o ATR de N períodos (10 é o padrão).
  2. Banda superior: o preço médio do candle (média de máxima e mínima) mais um múltiplo do ATR (3 é o padrão). Banda inferior: o mesmo, menos.
  3. Numa alta, a linha do SuperTrend é a banda inferior, e ela só pode subir (nunca desce enquanto a tendência não vira). Numa baixa, é a banda superior, e só pode descer.
  4. Quando o fechamento cruza a linha, a tendência vira e a linha pula para o outro lado.

O resultado é um stop móvel por ATR que também funciona como indicador de direção: é o mesmo mecanismo do stop Chandelier, e explicamos a família em Stop móvel, trailing stop e stop ATR.

Preço com a linha do SuperTrend: verde abaixo do preço durante a alta, subindo em degraus; quando o preço fecha abaixo dela, a linha vira vermelha e passa para cima
Uma linha só, que segue a tendência a uma distância de ATR e vira de lado quando é cruzada. Ilustração.

As duas formas de usar

Como sinal. Compra quando a linha vira para verde (o preço fechou acima da banda); vende (ou zera) quando vira para vermelha. É um sistema seguidor de tendência completo, com entrada e saída na mesma regra.

Como stop. Numa compra feita por outro motivo (um rompimento, um setup de candle), a linha do SuperTrend é o stop móvel: sobe com o preço, a uma distância que acompanha a volatilidade, e a saída acontece quando o preço fecha abaixo dela.

Muita gente usa os dois ao mesmo tempo, o que é redundante: se o sinal e o stop são a mesma linha, a saída é sempre pelo sinal contrário.

O que os parâmetros fazem

  • O período do ATR (10): quanto tempo a volatilidade "lembra". Curto reage a um dia agitado; longo suaviza.
  • O múltiplo (3): a distância da linha ao preço. Múltiplo pequeno (1,5 ou 2): linha perto, sai cedo em todo respiro, muitos sinais falsos. Múltiplo grande (4 ou 5): linha longe, fica na tendência, devolve mais na virada.

Não existe par certo. Existe o que sobrevive ao walk-forward para o ativo e o tempo gráfico, como explicamos em Backtest, forward test e walk-forward. Vale desconfiar de "10 e 3 é o melhor": é o padrão do autor, não uma lei.

Onde ele perde

Na lateralidade, como todo sistema de tendência: o preço cruza a linha para cima e para baixo em sequência, e cada virada é uma operação que perde pouco. É a morte por mil cortes. O filtro de ADX (só opera virada com ADX subindo) e o de horário são as defesas de sempre, e explicamos o primeiro em ADX: a força da tendência.

E na virada brusca: como a linha fica a três ATR do preço, uma queda rápida devolve boa parte do ganho antes de o SuperTrend virar. É o preço de não sair cedo nos respiros.

Como vira regra num robô

ATR, uma soma, uma comparação com o fechamento e uma memória (a linha só pode andar numa direção). No Centurion, o SuperTrend é um bloco de sinal (a virada como gatilho, o lado como filtro) e a mesma lógica existe como bloco de saída, o stop móvel por StopATR; o ADX, o horário, o alvo e o limite diário são os outros blocos. O teste segue a regra dos sistemas de tendência: o período lateral longo é o que mostra a conta, e o ano de tendência é o que mostra o que se ganha por aguentá-la.