Análise técnica · MetaTrader 5

MACD: duas médias, uma diferença e um histograma

A distância entre uma média rápida e uma lenta, com uma linha de sinal por cima. As três leituras clássicas, a que mais engana e como entra numa regra de robô.

O MACD (Moving Average Convergence Divergence) é o cruzamento de médias transformado em oscilador. Em vez de olhar se a média rápida está acima ou abaixo da lenta, ele mede a distância entre as duas e desenha isso como uma linha em torno de zero. Quando as médias se afastam, o MACD cresce; quando se aproximam, encolhe; quando se cruzam, ele cruza o zero.

As três partes

  • Linha MACD: média exponencial de 12 períodos menos a de 26. Positiva, a rápida está acima da lenta (alta); negativa, abaixo.
  • Linha de sinal: média exponencial de 9 períodos da própria linha MACD. Uma suavização.
  • Histograma: a diferença entre a linha MACD e a linha de sinal, em barras. Mostra se a distância entre as duas está crescendo ou encolhendo.

Os números 12, 26 e 9 são os do autor, Gerald Appel, e continuam sendo o padrão. Não são lei.

As três leituras clássicas

Cruzamento com a linha de sinal. A linha MACD cruzar a de sinal para cima é o gatilho mais usado: a distância entre as médias começou a crescer a favor da alta. É sensível e frequente, o que quer dizer muitos sinais falsos em lateralidade.

Cruzamento do zero. A linha MACD passar de negativo a positivo é exatamente o cruzamento das médias de 12 e 26. Mais lento, mais confiável, o mesmo sistema que explicamos em Médias móveis e cruzamento de médias, com a vantagem de mostrar a distância além da direção.

Histograma encolhendo. As barras diminuindo enquanto o preço ainda sobe: as médias estão se aproximando, o impulso está acabando. É o aviso antes do cruzamento, e o uso mais fino do MACD.

Preço em cima e o MACD embaixo: a linha MACD, a linha de sinal e o histograma em barras; os cruzamentos marcados e o histograma encolhendo antes da virada
A distância entre as médias como oscilador. O histograma encolhendo avisa antes do cruzamento. Ilustração.

A leitura que mais engana

A divergência como sinal de entrada. Preço faz topo mais alto, MACD faz topo mais baixo: a alta perdeu força, dizem. É verdade com frequência, e é falso com frequência suficiente para quebrar quem vende toda divergência: em tendência forte, o MACD pode divergir por semanas enquanto o preço sobe. Divergência é aviso para quem está posicionado (aperta o stop), não gatilho para quem está fora.

Onde ele perde

Na lateralidade, como todo derivado de médias: as linhas se cruzam a toda hora perto do zero, e cada cruzamento é uma operação que perde pouco. Duas defesas: só operar cruzamentos longe do zero (o histograma precisa de tamanho), e o filtro de ADX, que explicamos em ADX: a força da tendência.

E no atraso: como é feito de médias, o MACD confirma depois. Serve para ficar na tendência e para sair dela; para pegar o primeiro candle, não.

Como vira regra num robô

Três médias exponenciais e duas subtrações. As condições: "cruzou a linha de sinal", "cruzou o zero", "histograma subindo", "histograma acima de X". No Centurion, o MACD é um bloco de sinal com essas leituras, que serve como gatilho de entrada ou de saída, ou como filtro que impede a operação enquanto a leitura não valer; o ADX, o horário, o stop, o alvo e o limite diário são os outros blocos.

O teste é o de todo sistema de médias: o período lateral longo mostra a conta dos cruzamentos, e o walk-forward diz se 12, 26 e 9 sobrevivem fora da fatia em que foram ajustados, como explicamos em Backtest, forward test e walk-forward.