Setup para mini-índice: o que muda quando o ativo é o WIN
Horário, ajuste diário, vencimento e ponto de valor fixo. O que isso muda num setup, os horários que se comportam diferente e por que o WIN é o ativo dos robôs.

Um setup é uma regra sobre preço, e regra sobre preço vale em qualquer ativo, certo? Em teoria. Na prática, o mini-índice (WIN) tem características que mudam o comportamento de qualquer setup, e quem o opera com regra precisa conhecê-las antes de testar.
O que o mini-índice é
Um contrato futuro sobre o Ibovespa, negociado na B3, com um quinto do tamanho do contrato cheio. Cada ponto do índice vale R$ 0,20 por contrato; uma operação de 100 pontos com um contrato é R$ 20. Tem vencimento a cada dois meses (nos meses pares), horário de pregão definido, e ajuste diário: o resultado da posição é creditado ou debitado todo dia, mesmo que ela continue aberta.
É o ativo mais operado pelos robôs de varejo no Brasil, por três motivos: liquidez grande (entra e sai com pouco slippage), margem acessível para um contrato, e horário fechado, que dá começo e fim ao dia da estratégia.
O que muda num setup
O ponto vale dinheiro fixo. Stop, alvo e resultado se medem em pontos, e a conta em reais é direta: pontos vezes 0,20 vezes contratos. Regras em porcentagem, comuns em ações, fazem menos sentido aqui; a regra em pontos é a natural. Falamos disso em Escala aritmética e logarítmica.
O horário é parte da regra. O mini-índice tem janelas com comportamento próprio:
- Abertura (primeira meia hora): volatilidade alta, gaps em relação ao fechamento anterior, movimento rápido. Setups de rompimento gostam; setups de reversão sofrem.
- Meio do dia: menor amplitude, mais lateralidade. Onde os sistemas de tendência perdem devagar.
- Abertura do mercado americano (à tarde): segunda onda de volatilidade.
- Fechamento: ajustes de posição, movimento nem sempre lógico.
Um setup testado o dia inteiro mistura quatro mercados. Testar por janela mostra em qual ele vale, e o filtro de horário deixa de ser detalhe. Falamos do gap de abertura em Gaps e ilha de reversão.
O vencimento. A cada dois meses o contrato muda, com uma diferença de preço entre o que vence e o seguinte. Um histórico contínuo precisa emendar os contratos com cuidado; um backtest que ignora isso vê "gaps" que não existiram no mercado.
O ajuste diário. Para day trade não muda nada; para quem segura a posição, o caixa oscila todo dia, e a margem precisa aguentar.

Os setups que costumam aparecer no WIN
- Rompimento da abertura: a máxima ou a mínima dos primeiros minutos como referência, entrada no rompimento. Aproveita a volatilidade da abertura e sofre com o rompimento falso.
- Tendência com a média de 9 ou de 21: os setups da família 9.x e o Ponto Contínuo, no intradiário, com filtro de horário.
- Reversão à média no meio do dia: bandas, IFR, CCI, na janela lateral.
- Máximas e mínimas do dia anterior: os níveis de ontem como suporte e resistência de hoje. É o assunto de Rompimento de máximas e mínimas.
Nenhum é melhor. Cada um serve a uma janela, e a combinação de dois ou três, em janelas diferentes, é o que dá regularidade, como explicamos em Juntar estratégias muda o risco.
Por que é o ativo dos robôs
As nossas estratégias na OnTick operam mini-índice, em day trade, com o resultado publicado por estratégia e o lote de 1 a 5 contratos conforme o plano. O motivo é o que está acima: liquidez para entrar e sair, horário que dá começo e fim ao dia, e o ponto que vale dinheiro fixo, o que torna a perda máxima e a margem números simples de calcular e de ler. É o ativo em que uma regra pode ser medida com menos ruído de execução do que em qualquer outro da B3.
Quem constrói as próprias estratégias tem no Centurion o filtro de janela de day trade com limite de abertura, os níveis do dia anterior, a janela de abertura e o gap como blocos, e a troca automática do contrato no vencimento, tudo por estratégia.
O que levar
O mini-índice não muda a regra; muda o ambiente da regra. Pontos em vez de porcentagem, horário como parte do setup, vencimento no histórico. Quem testa considerando os três testa o WIN; quem ignora, testa outra coisa.

