ROC, o Rate of Change: a velocidade do preço em porcentagem
O indicador de momento mais simples: quanto o preço mudou, em porcentagem, em relação a N períodos atrás. O que ele mostra, onde engana e como vira condição.

Entre os indicadores de momento, o ROC (Rate of Change, taxa de variação) é o mais honesto: não tem média, não tem suavização, não tem transformação. É só uma pergunta: quanto o preço mudou, em porcentagem, em relação a N períodos atrás?
A conta
ROC = (fechamento de hoje menos fechamento de N períodos atrás) / fechamento de N períodos atrás × 100
Com N = 12, um ROC de +3 quer dizer que o preço está 3% acima de onde estava 12 candles atrás. Positivo, o preço subiu no período; negativo, caiu; zero, voltou ao mesmo lugar. Não tem limite: em movimento forte, o ROC vai onde o preço for.
É uma linha que oscila em torno de zero, e a leitura básica é a direção e a distância do zero.

O que ele mostra melhor: aceleração
O valor do ROC diz o momento; a inclinação do ROC diz a aceleração. Um preço que sobe com o ROC subindo está acelerando: cada período anda mais que o anterior. Um preço que sobe com o ROC caindo ainda está subindo, mas mais devagar; é o primeiro sinal de que o impulso está acabando, muito antes de o preço virar.
Essa é a utilidade mais fina do ROC: ver a desaceleração dentro da tendência, quando o gráfico de preço ainda parece saudável.
As leituras que se programam
Cruzamento do zero. ROC passa de negativo para positivo: o preço superou o nível de N períodos atrás. É um sinal de tendência simples, parecido com o cruzamento de médias, e com o mesmo defeito em lateralidade (cruza a toda hora).
Extremos. Como não tem limite fixo, os extremos são relativos: um ROC muito acima do que ele costuma atingir naquele ativo sugere movimento esticado. Isso pede que a faixa de "extremo" seja definida pelo histórico do próprio ativo, não por um número universal.
Divergência. Preço faz topo mais alto, ROC faz topo mais baixo: a alta perdeu velocidade. Aviso, não sinal.
Onde engana
- Ele é sensível ao período de referência. O ROC de 12 compara com o candle de 12 atrás; se aquele candle foi um extremo, o ROC de hoje muda de forma brusca quando ele sai da janela, mesmo com o preço parado. É o "efeito de queda", e é o motivo de o ROC oscilar mais que os osciladores suavizados.
- Sem limite, sem faixa universal. Não existe "acima de 70, vende". Cada ativo e cada tempo gráfico têm a própria amplitude de ROC.
- É porcentagem. No mini-índice, que paga em pontos, uma variação de 1% pode ser muito ou pouco dinheiro conforme o nível do índice. Regras em pontos costumam servir melhor para ele, e o ROC em pontos é só a diferença entre os dois fechamentos.
Como entra numa estratégia
Pela simplicidade, o ROC serve bem como filtro: "só compra se o ROC de 20 está positivo" é um filtro de tendência barato, e "não compra se o ROC está acima de X" é um filtro de exaustão. Como gatilho, o cruzamento do zero funciona em tendência e pede um filtro de horário e um de tendência longa para não operar a lateralidade.
Em todos os casos, stop, alvo e limite diário continuam obrigatórios: o ROC diz a velocidade, não o destino.
Como vira regra num robô
Uma subtração e uma divisão. É o tipo de condição que qualquer plataforma calcula. No Centurion, a variação do preço entra por blocos como a variação do dia, o CMO (que mede momento pela soma das altas e quedas, e explicamos em Oscilador de momento de Chande) e o bloco de termo livre, que compara uma fonte de preço com outra: o ROC é exatamente essa comparação, escrita como condição.
Como todo indicador de momento, o ROC ganha em ano de tendência e perde em ano lateral. O teste precisa dos dois, e o walk-forward diz se o período escolhido sobrevive fora da fatia em que foi ajustado.


