Análise técnica · MetaTrader 5

Setup Ponto Contínuo: entrar na tendência pelo recuo à média

O setup popularizado por Alexandre Wolwacz (Stormer): a média de 21 como tendência e o recuo até ela como entrada. A regra, os filtros e como vira robô.

O Ponto Contínuo é um setup de continuação de tendência que ficou conhecido no Brasil pelo trabalho de Alexandre Wolwacz, o Stormer. A ideia é antiga e boa: numa tendência de alta, o preço se afasta da média e volta a ela em recuos; comprar no recuo, com a tendência intacta, é entrar num preço melhor na direção que já vinha. A média de referência é a exponencial de 21 períodos.

A regra, na compra

  1. Tendência de alta definida: a MME21 subindo, com o preço fazendo topos e fundos mais altos.
  2. O recuo: o preço cai até a média (toca, ou chega perto, ou a cruza levemente) sem a média virar para baixo.
  3. O candle de referência: o candle do recuo que testou a média.
  4. Entrada: no rompimento da máxima do candle de referência. Se o candle seguinte não rompe, a entrada pode ficar válida enquanto a média subir, com o mesmo stop.
  5. Stop: abaixo da mínima do candle de referência (ou do fundo do recuo).
  6. Alvo: o topo anterior, a projeção do último impulso, ou um múltiplo do risco.

A venda é o espelho: MME21 caindo, o preço sobe até ela, venda no rompimento da mínima do candle que testou.

Uma tendência de alta com a média exponencial de 21 subindo; o preço recua até a média, faz o candle de referência e retoma; a compra marcada acima da máxima desse candle e o stop abaixo da mínima
O recuo até a MME21 numa alta: entra na retomada, stop abaixo do candle que testou a média. Ilustração.

Por que funciona quando funciona

Porque combina os dois ingredientes de toda operação a favor da tendência: uma referência objetiva de que a tendência existe (a média subindo, com estrutura de topos e fundos) e um ponto de entrada barato (o recuo), confirmado pelo rompimento. É a mesma família dos setups 9.x de Larry Williams, com uma média mais longa e portanto menos sinais e recuos mais profundos. Explicamos a família da média de 9 em Setups 9.2, 9.3 e 9.4.

Os filtros que fazem diferença

  • A qualidade da tendência. Média subindo não basta; a estrutura de topos e fundos mais altos precisa existir. Um recuo dentro de uma lateralidade inclinada não é Ponto Contínuo.
  • A profundidade do recuo. Recuo que cruza a média e fecha bem abaixo dela é quebra, não recuo. O setup pede o toque ou a proximidade, não o mergulho.
  • O candle de referência. Um candle de reversão (martelo, engolfo de alta) no teste da média vale mais que um candle qualquer. Falamos deles em Padrões de reversão em candles.
  • O tempo gráfico. É um setup de swing por origem; no intradiário funciona, com mais ruído e a necessidade de um filtro de horário.

Onde ele perde

Na virada da tendência. O último recuo antes de uma reversão parece igual aos anteriores, e o setup entra nele; o stop abaixo do candle de referência é o que limita o prejuízo. E na lateralidade, onde a média fica plana, os "recuos" viram cruzamentos, e a regra precisa de um filtro (ADX, ou a inclinação mínima da média) para não operar.

Como vira regra num robô

A inclinação da média, a distância do preço a ela, o candle de referência e o rompimento: tudo é condição numérica. No Centurion, o Ponto Contínuo é um bloco de sinal que serve como gatilho ou como filtro; a tendência maior, o horário, o stop, o alvo e o limite diário são os outros blocos, e a regra é executada como foi montada, no seu MetaTrader 5.

O teste precisa do período de reversão (onde o setup entra no último recuo) e do período lateral (onde os recuos se multiplicam), como em todo sistema de tendência. E vale o cuidado de sempre com a otimização: a MME21 é a referência clássica; ajustar para 19 ou 23 porque o backtest melhorou é decorar o passado, como explicamos em Backtest, forward test e walk-forward.