Análise técnica · Robôs de investimento
Reversão à média: a estratégia do elástico, e quando ele arrebenta
O preço esticado demais tende a voltar à média. Como medir o esticado (desvio padrão, Bollinger, IFR), onde funciona e por que precisa de stop.
Por Marcelo Hoepfner

Reversão à média é a ideia de que um preço que se afastou demais do seu normal tende a voltar para perto dele. É o elástico: quanto mais esticado, mais força para voltar. É o oposto da estratégia de tendência, que aposta que o movimento continua. As duas funcionam, em mercados diferentes, e o erro está em usar uma no mercado da outra.
Como medir o "esticado"
A regra precisa dizer, em número, o que é longe demais:
- Distância da média em desvios padrão (o z-score): o preço a 2 desvios abaixo da média de 20 barras é um afastamento que acontece pouco. As Bandas de Bollinger desenham exatamente isso.
- Osciladores em extremo: o IFR abaixo de 30, o Estocástico abaixo de 20, com períodos curtos.
- Distância percentual de uma média, como os envelopes.
- Distância da VWAP do dia, no intradiário: VWAP.
A regra básica
- Entrada: o preço passa do limite de esticado (por exemplo, fecha abaixo da banda inferior).
- Alvo: a volta para a média.
- Stop: um ponto onde a ideia está errada, abaixo da entrada. Sem ele, a estratégia vira preço médio. Está em Martingale.
- Saída no tempo: se o preço não volta em N barras, sai. O elástico que não volta rápido talvez não volte. Está em Stop no tempo.

Onde ela funciona
- Mercado lateral, sem tendência definida. No mini-índice, o meio do dia costuma ter esse perfil: Melhor horário para operar mini-índice.
- Tempos gráficos curtos, em que o ruído domina.
- Pares de ativos que andam juntos, a versão do long & short: Long & short.
Onde ela quebra
Em tendência forte. O preço "esticado" continua esticando, a regra compra de novo a cada nova mínima, e a perda se acumula. A estratégia de reversão costuma ter taxa de acerto alta e ganhos pequenos, e a assinatura de risco é a do martingale: meses bons e um dia ruim. Por isso o stop e o filtro de tendência não são opcionais:
- Filtro de tendência: não comprar esticado para baixo se a média longa está caindo com força. O ADX é o termômetro mais usado.
- Filtro de volatilidade: em dia de volatilidade extrema, o esticado não é esticado; é o novo preço. Veja Volatilidade.
Reversão e tendência na mesma carteira
Como uma ganha quando a outra sofre, estratégias de reversão e de tendência costumam se complementar numa carteira: o mercado lateral paga a primeira, o mercado com direção paga a segunda. É um dos exemplos mais claros de diversificação pelo comportamento, e não pelo nome. Está em Juntar estratégias muda o risco.
Uma regra completa, com números inventados
Para mostrar como as peças se encaixam, uma regra de reversão no mini-índice, no gráfico de 5 minutos:
- Entrada: comprar quando o candle fecha abaixo da banda inferior de Bollinger (20 períodos, 2 desvios), só se o ADX estiver abaixo de 20 (mercado sem tendência forte).
- Horário: só entre 11h e 15h, a fase mais lateral do dia.
- Alvo: a média de 20 períodos.
- Stop: 1,5 vez o ATR abaixo da entrada, arredondado ao passo de 5 pontos.
- Tempo: se não chegar ao alvo em 12 candles, sai.
- Limite do dia: duas perdas, e a estratégia para.
Cada número dessa lista é um parâmetro a testar numa faixa, não um valor mágico. A regra só vale se funcionar com vizinhos desses números, e fora do período em que eles foram escolhidos.
O que olhar no teste
A taxa de acerto alta engana. Olhe o payoff (ganho médio sobre perda média), a maior perda individual e a maior sequência de perdas. Está em Fator de lucro, payoff e taxa de acerto.
No Centurion, a reversão se monta com os blocos de Bandas de Bollinger, IFR, Estocástico, Envelopes, desvio padrão e VWAP como gatilho, o ADX como trava de tendência, e o stop no tempo como saída.


