Análise técnica · Robôs de investimento
Indicadores de volume: OBV, acumulação e distribuição e o que o volume confirma
O volume mostra a força por trás do movimento. Como leem o OBV, a acumulação e distribuição e a média de volume, e como viram trava num robô.
Por Marcelo Hoepfner

O preço diz para onde o mercado foi. O volume diz com quanta força. Um rompimento com volume alto teve muita gente disposta a pagar por ele; o mesmo rompimento com volume fraco pode ser só a falta de vendedores naquele minuto. Os indicadores de volume tentam transformar essa ideia em número.
A média de volume: o mais simples e o mais útil
Antes de qualquer indicador sofisticado, o volume da barra comparado com a média das últimas N barras. "Volume da barra acima de 1,5 vez a média" é uma trava objetiva que filtra rompimentos sem participação. É também o jeito mais simples de saber se o mercado está vivo ou parado no horário.
OBV (On Balance Volume)
Criado por Joseph Granville em 1963, é uma soma corrida: se a barra fecha em alta, o volume dela é somado; se fecha em baixa, é subtraído. A linha do OBV sobe quando o volume se concentra nos dias de alta, e cai quando se concentra nos de baixa.
A leitura clássica é a divergência: o preço faz uma nova máxima e o OBV não acompanha, sinal de que a alta está sendo feita com menos participação. Como toda divergência, ela avisa antes e erra muito; serve como trava, não como gatilho sozinho.
Acumulação e distribuição (A/D)
A linha de acumulação e distribuição, popularizada por Marc Chaikin, refina a ideia do OBV: em vez de somar o volume inteiro conforme o fechamento foi de alta ou de baixa, pondera pelo lugar do fechamento dentro da barra. Fechamento perto da máxima soma quase todo o volume; perto da mínima, subtrai; no meio, quase nada.
A ideia é separar a barra que subiu e fechou forte da que subiu e devolveu. A leitura é a mesma do OBV: tendência da linha e divergência com o preço.

O limite dos indicadores de volume no mini-índice
No mini-índice, o volume de cada barra existe e é confiável, mas mistura tudo: agressões de compra e de venda, lotes de robô e de gente. O OBV e a A/D não sabem quem agrediu; inferem pela direção do fechamento. Leituras mais finas do fluxo, com o saldo de agressão, estão em Fluxo de ordens e difusor de fluxo e em Tape reading. O volume também é a base de outros indicadores já do blog: VWAP e MFI.
Volume e horário: compare com o mesmo horário
No mini-índice, o volume tem um ciclo diário: alto na abertura e à tarde, baixo no meio do dia. Uma barra do meio do dia com volume abaixo da média do dia pode estar acima do normal para aquele horário. Por isso a comparação mais honesta é com a média do mesmo horário em dias anteriores, e não com as últimas barras. O ciclo está em Melhor horário para operar mini-índice.
Um exemplo de leitura, com números inventados
Dois rompimentos da máxima do dia, na mesma semana. No primeiro, a barra do rompimento tem duas vezes o volume médio daquele horário; no segundo, 60%. A leitura do volume sugere que o primeiro teve participação e o segundo não. Mas uma semana não prova nada. O teste que vale separa, no histórico longo, os rompimentos com volume alto dos com volume baixo e compara o resultado de cada grupo. Se a diferença existe e se sustenta fora do período em que o limite foi escolhido, o volume vira trava; se não existe, era só uma boa história.
Como viram regra num robô
- Trava de participação: só operar rompimento com volume da barra acima da média.
- Trava de tendência do volume: só comprar com OBV acima da própria média; só vender abaixo.
- Filtro de horário morto: não operar quando a média de volume do horário está abaixo de um limite.
Como qualquer filtro, cada um tira operações, e o teste precisa mostrar que tira mais das ruins que das boas, fora do período em que o limite foi escolhido. Veja Filtros que impedem a operação.
No Centurion, o volume entra como blocos de trava: média de volume, OBV, PVT (a variante que pondera pela variação percentual do preço), VSA (volume e amplitude da barra) e VWAP.


