Análise técnica · MetaTrader 5
IFR (RSI), o índice de força relativa: o que mede e como usar num robô
O oscilador mais conhecido, entre 0 e 100. De onde vêm o 70 e o 30, por que sobrecomprado não é sinal de venda, e as leituras que sobrevivem ao teste.

O IFR (RSI, Relative Strength Index) está em todo gráfico desde os anos 1970 e continua sendo o oscilador mais usado por um motivo: ele responde, numa escala fixa de 0 a 100, se as altas ou as quedas dominaram os últimos períodos. Simples de ler, fácil de programar, e mal usado na maioria das vezes. Vamos ao que ele mede e ao que ele não mede.
A conta, em português
Nos últimos N períodos (14 é o padrão), calcule a média das variações positivas de fechamento (as altas) e a média das negativas (as quedas). A força relativa é a divisão de uma pela outra. O IFR transforma isso numa escala de 0 a 100:
IFR = 100 menos 100 dividido por (1 mais a força relativa)
Se só houve altas, o IFR vai a 100; só quedas, a 0; altas e quedas iguais, 50. O autor usou médias suavizadas, o que faz o IFR reagir com mais calma que o CMO, seu primo direto, que explicamos em Oscilador de momento de Chande.
De onde vêm o 70 e o 30
Do próprio autor, como referência para "esticado": acima de 70, as altas dominaram de forma incomum; abaixo de 30, as quedas. São referências, não leis. Em mercado que tende, o IFR fica acima de 70 por dias; em ativo pouco volátil, mal chega lá. Muita gente usa 80 e 20 em tempo gráfico curto, ou ajusta pela história do ativo.
Por que sobrecomprado não é sinal de venda
"IFR acima de 70, vende" é a regra que mais perde dinheiro com o indicador. Em tendência de alta, o IFR entra em 70 e fica; cada venda ali é venda contra a alta, e a alta ganha. O erro é tratar "esticado" como "vai cair". Esticado quer dizer que subiu muito rápido; pode continuar subindo mais devagar, cair, ou lateralizar. O IFR não diz qual.

As leituras que sobrevivem ao teste
Volta da zona extrema, com contexto. Não a entrada em 70, mas a saída: o IFR sobe acima de 70 e volta abaixo, numa lateralidade ou numa resistência conhecida. É reversão à média, e só vale onde o mercado reverte.
IFR como filtro de tendência. Acima de 50, as altas dominam: só compra. Abaixo de 50, só vende. É a leitura menos famosa e uma das mais úteis para um sistema seguidor de tendência.
Divergência. Preço faz topo mais alto, IFR faz topo mais baixo: a alta perdeu força. Aviso, não gatilho; combinado com um candle de reversão e um nível, vira operação.
Faixas em tendência. Em alta, o IFR costuma oscilar entre 40 e 80; em baixa, entre 20 e 60. A faixa que ele respeita diz em que tendência o mercado está, e a mudança de faixa diz que a tendência mudou.
O período
Com 14 é o clássico; com 7 ou 9 o IFR fica mais nervoso e sai das faixas a toda hora; com 21 ou mais, atrasa. Nenhum é o certo. O que sobrevive ao walk-forward no seu ativo e tempo gráfico é o certo, e muda de ano para ano, como explicamos em Backtest, forward test e walk-forward.
Como vira regra num robô
O IFR é aritmética de médias, e as condições são poucas: "acima de X", "abaixo de X", "cruzou X para cima", "cruzou X para baixo". Como gatilho (a volta de 70) ou como filtro (só compra acima de 50), ele entra em quase todo tipo de estratégia.
No Centurion, o IFR é um bloco de sinal com essas leituras, que serve como gatilho de entrada ou de saída, ou como trava que impede a operação enquanto a leitura não valer; o filtro de tendência, o horário, o stop, o alvo e o limite diário são os outros blocos. O teste segue a regra dos osciladores: ano lateral e ano de tendência, os dois, porque o IFR ganha num e apanha no outro, e o filtro é o que decide o saldo.


