Análise técnica · MetaTrader 5

Upbar e downbar de Dunnigan: o setup mais simples de tendência

Máxima e mínima mais altas que as da barra anterior: upbar; mais baixas: downbar. A regra de Dunnigan, o que ela captura, onde falha e como vira robô.

William Dunnigan escreveu sobre isso nos anos 1950, e a ideia sobreviveu a todos os indicadores que vieram depois porque não precisa de nenhum: só de duas barras. Se a barra de hoje fez máxima e mínima acima das de ontem, é um upbar: o mercado inteiro se deslocou para cima. Se fez máxima e mínima abaixo, é um downbar. Barras que ficam dentro (inside) ou fora (outside) da anterior não contam.

A leitura

A sequência de upbars é a tendência de alta na definição mais crua possível: cada período inteiro acima do anterior. Não é o fechamento, não é uma média; é a amplitude toda. O primeiro upbar depois de uma sequência de downbars é o primeiro sinal de que a direção mudou. É a Teoria de Dow em escala de duas barras, e explicamos a versão original em Teoria de Dow em uma página.

A regra clássica

Compra: depois de uma sequência de downbars (a queda), aparece um upbar. A compra fica no rompimento da máxima desse upbar, no candle seguinte. Stop na mínima do upbar (ou na mínima da queda, para quem quer mais folga).

Venda: depois de uma sequência de upbars, aparece um downbar; venda no rompimento da mínima dele; stop na máxima.

Saída: no primeiro downbar depois da entrada de compra (a tendência de duas barras virou), ou por stop e alvo próprios.

Uma sequência de barras em queda, cada uma com máxima e mínima abaixo da anterior, seguida do primeiro upbar; a compra marcada acima da máxima do upbar e o stop na mínima dele
Downbars em sequência, o primeiro upbar, a entrada acima dele. Duas barras bastam para definir a virada. Ilustração.

O que o setup captura

O começo de movimentos. Ele entra cedo, porque um upbar é o mínimo de evidência de virada que existe. Isso é a virtude e o defeito: em tendência, pega o começo; em lateralidade, pega todo zigue-zague, porque upbars e downbars se alternam sem parar.

Por isso ele quase nunca é usado sozinho. As combinações mais comuns:

  • Sequência mínima. Exigir três ou mais downbars antes do upbar de compra: a queda precisa ter existido para a virada valer.
  • Filtro de tendência maior. Só compra o upbar se o gráfico de tempo maior está em alta: o setup vira uma entrada de retomada, não de reversão.
  • Confirmação por fechamento. O upbar com fechamento na metade superior da barra vale mais que o upbar com fechamento na mínima.

Onde falha

Em lateralidade estreita e em dia de pouca amplitude, quando quase toda barra é inside ou outside e as poucas up e down não significam deslocamento. E no rompimento falso, como todo setup de rompimento: o preço passa da máxima do upbar e volta. O stop na mínima do upbar cuida disso, e o limite de perda por dia cuida da série de stops.

Como vira regra num robô

Duas comparações por barra (máxima com a anterior, mínima com a anterior) e um rompimento. É a regra mais barata de programar que existe, e por isso um bom primeiro exercício para quem está começando a escrever estratégia, como sugerimos em Da estratégia manual ao robô.

No Centurion, o Dunnigan é um bloco de sinal que serve como gatilho ou como filtro (só opera se a última barra foi um upbar, por exemplo); a sequência mínima, o filtro de tendência, o horário, o stop, o alvo e o limite diário são os outros blocos. O teste segue a regra dos setups de tendência: precisa do período lateral, onde o Dunnigan perde devagar, para saber quanto os filtros valem.