Análise técnica

Fibonacci no gráfico: retração e projeção

De onde vêm os níveis de 38,2%, 50% e 61,8%, como se desenha a retração sobre um movimento, o que a projeção acrescenta e o que os níveis não são.

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Nesta página
  1. De onde vêm os números
  2. Como se desenha a retração
  3. Projeção: o passo seguinte
  4. Por que funciona, quando funciona
  5. Como vira regra num robô
  6. Regras de uso que evitam prejuízo

Poucas ferramentas de análise técnica carregam tanto folclore quanto Fibonacci. A sequência (1, 1, 2, 3, 5, 8, 13...) aparece em conchas, girassóis e apresentações de curso, e disso nasce a ideia de que o mercado obedece a uma lei da natureza. Não obedece. O que existe é mais simples e mais útil: os níveis de Fibonacci são um jeito padronizado de medir até onde uma correção costuma ir, e como muita gente olha os mesmos níveis, eles acabam importando.

De onde vêm os números

Dividindo um número da sequência pelo seguinte, o resultado se aproxima de 0,618. Dividindo pelo que vem dois depois, 0,382. Daí saem os níveis clássicos de retração: 38,2%, 50% (que não é de Fibonacci, mas todo mundo usa) e 61,8%. Alguns acrescentam 23,6% e 78,6%.

O que esses números querem dizer no gráfico: depois de um movimento de alta, o preço costuma corrigir uma parte dele antes de continuar. Os níveis são candidatos a "até onde": uma correção rasa para perto de 38,2% do movimento, uma correção profunda para perto de 61,8%.

Como se desenha a retração

  1. Escolha um movimento claro: de um fundo a um topo (numa alta) ou de um topo a um fundo (numa baixa).
  2. Trace a ferramenta do início ao fim desse movimento. Ela divide a distância nos níveis.
  3. Os níveis viram zonas de atenção para a correção: ali o preço pode parar e retomar a direção original.
Um movimento de alta do fundo ao topo, com as linhas horizontais dos níveis de retração de 38,2%, 50% e 61,8% e o preço corrigindo até a região de 61,8% antes de voltar a subir
A retração mede a correção em porcentagem do movimento. O preço voltou até perto de 61,8% e retomou a alta. Ilustração.

O que importa aqui é a palavra "zona". Um nível de Fibonacci não é um preço exato; é uma região. O preço raramente para no centavo, e quem espera o toque exato fica de fora ou entra no lugar errado.

Projeção: o passo seguinte

A retração olha para trás (quanto da alta o preço devolveu). A projeção olha para a frente: se a correção terminou, até onde o próximo movimento pode ir? Os níveis mais usados são 100% (o novo movimento repete o tamanho do anterior), 127,2% e 161,8%.

Na prática, a projeção serve para definir alvo. Quem entrou na retração de 61,8% e usa a projeção de 100% como saída tem uma regra completa: onde entra, onde sai. É esse fechamento que transforma a ferramenta em estratégia.

Por que funciona, quando funciona

Não é magia nem geometria da natureza. Funciona por dois motivos comuns a boa parte da análise técnica:

  • Correções parciais são a regra. Depois de um impulso, uma parte de quem comprou realiza; o preço devolve um pedaço; quem ficou de fora entra na correção. Os níveis são um jeito de dividir essa devolução em pedaços comparáveis.
  • Muita gente olha o mesmo nível. Se milhares de operadores põem ordem de compra em 61,8%, aparece demanda ali. É profecia autorrealizável, e isso não a torna inválida: torna mensurável.

Por que não funciona: em movimento forte demais, não há correção que respeite nível nenhum; em lateralidade, não há movimento para medir; e a escolha do fundo e do topo é subjetiva, então duas pessoas traçam retrações diferentes no mesmo gráfico.

Como vira regra num robô

A subjetividade da escolha dos pontos é o problema de automatizar Fibonacci. O robô precisa de uma definição objetiva de "o movimento": a perna de um indicador de zigue-zague, por exemplo, ou a amplitude da abertura do dia. Definido o movimento, os níveis são aritmética.

No Centurion, há dois blocos com essa lógica: o Fibonacci sobre pernas de ZigZag (a perna define o movimento) e o Fibonacci da janela do dia (a amplitude da abertura define). Cada um serve como gatilho (o preço tocou o nível) ou como filtro (só opera se estiver na zona). O contexto (tendência, horário, stop) continua sendo o que separa o nível de uma estratégia.

Regras de uso que evitam prejuízo

  • Trace só em movimentos claros. Se você precisa procurar o fundo e o topo, o movimento não está claro.
  • Trate cada nível como zona, e coloque o stop além dela, não em cima.
  • Combine com outra evidência: um candle de reversão na zona, a média que passa ali, o volume. Nível sozinho é coincidência a cada dez minutos.
  • Defina o alvo antes de entrar. A projeção existe para isso.

Fibonacci não é o mapa do mercado. É uma régua padronizada para medir correções, e uma régua é útil quando se sabe o que está medindo.

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