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Psicologia do trader: os vieses que custam dinheiro e o que a regra resolve

O mapa das finanças comportamentais para quem opera: os vieses que agem antes, durante e depois da operação, e por que regra escrita é o remédio que funciona.

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Quase todo mundo que perde dinheiro operando sabia o que deveria ter feito. Sabia que o stop estava ali, que o lote era grande, que a notícia era arriscada. E fez diferente. A distância entre saber e fazer é o assunto das finanças comportamentais, e ela custa mais que qualquer indicador errado.

A área nasceu do trabalho de Daniel Kahneman e Amos Tversky, a partir dos anos 1970, que mostraram com experimentos que as pessoas não decidem como a teoria econômica supunha: decidem com atalhos mentais que funcionam bem na vida e mal no mercado. Esses atalhos se chamam vieses. Não são defeito de quem é fraco; são o funcionamento normal da cabeça de todo mundo, inclusive de quem estuda o assunto.

Os vieses, na ordem em que atacam

Um jeito útil de organizar é pelo momento da operação em que cada viés age.

Antes de entrar: o que você acha que sabe

  • Excesso de confiança. Achar que sabe mais do que sabe, e operar mais do que deveria. O estudo mais citado mostra quem mais operava ganhando bem menos que o mercado. Está em Excesso de confiança no trade.
  • Viés de confirmação. Procurar a notícia, o gráfico e o teste que concordam com a ideia que você já tinha. Está em Viés de confirmação.
  • Ancoragem. Deixar um número qualquer (o preço que você pagou, a máxima do ano) guiar a decisão. Está em Ancoragem.
  • Disponibilidade. Julgar a chance de um evento pela facilidade de lembrar dele. O último crash que você viu parece mais provável que todos os que você não viu. Está em Heurística da disponibilidade.
  • Familiaridade. Preferir o que é conhecido só por ser conhecido, e concentrar sem perceber. Está em Viés de familiaridade.
  • Sobrevivente. Tirar conclusões só de quem deu certo, porque quem não deu sumiu. Está em Viés do sobrevivente.
  • Efeito manada. Comprar porque todo mundo está comprando. Está em Efeito manada na bolsa, e a versão com pressa, em FOMO no trade.

Com a posição aberta: o que você sente

  • Aversão à perda e efeito disposição. Perder dói cerca de duas vezes mais do que ganhar alegra; o resultado é cortar o ganho cedo e segurar a perda. Está em Aversão à perda.
  • Ilusão de controle. Achar que estar olhando e podendo clicar muda o resultado. Está em Ilusão de controle.
  • Efeito dotação. Dar mais valor ao que já é seu, inclusive à posição aberta. Está em Efeito dotação.

Depois do resultado: o que você conclui

  • Falácia do apostador. "Perdi cinco seguidas, a próxima tem que dar certo."
  • Viés de recência. Julgar a estratégia pelo último mês. Os dois estão em Falácia do apostador e viés de recência.
  • Custo afundado. "Já perdi tanto nessa ideia que não posso parar agora." Está em Custo afundado.
  • Retrospectiva. "Eu sabia": depois do resultado, tudo parece óbvio, e a revisão das operações não ensina nada. Está em Viés de retrospectiva.
Uma linha do tempo de uma operação em três trechos, antes, durante e depois, com os vieses de cada trecho em caixas; embaixo, uma faixa contínua com a regra escrita, o stop, o lote e o limite do dia atravessando os três trechos
Cada viés ataca num momento da operação. A regra escrita é a única coisa presente nos três. Ilustração.

Por que saber não resolve

O próprio Kahneman dizia que conhecer os vieses quase não o protegia deles. A razão é simples: o viés age na hora, rápido, e o conhecimento chega depois, devagar. No meio de uma perda, com o preço andando contra, não há tempo de lembrar o nome do que você está sentindo.

O que funciona é tirar a decisão da hora ruim e passar para uma hora calma:

  1. Decidir antes. Stop, alvo, lote e limite do dia escritos antes da operação, quando nada está em jogo.
  2. Executar sem negociar. Quanto menos a execução depende de um clique seu, menos o viés tem onde agir.
  3. Julgar pelo número certo. Não pelo último dia, e sim pelo que o histórico já mostrou que é normal.
  4. Revisar num dia fixo, com o diário das operações, e não no calor da perda.

É isso que chamamos de automação com disciplina. Um robô não sente aversão à perda: executa o stop onde ele foi escrito. Mas ele não resolve tudo. Quem desliga o robô no pior dia da estratégia, porque "não aguentou", está sofrendo de recência e de aversão à perda ao mesmo tempo, só que um nível acima. É o assunto de Day trade com robô quando a meta é o longo prazo.

Onde continuar

O livro Dias de Fúria no Mercado é sobre exatamente isso: o dia em que você sabe o que fazer e faz o contrário, o que acontece na cabeça nessa hora, e os protocolos para esse dia não destruir a conta. Os dois primeiros capítulos são grátis.

Para quem quer tirar a execução da mão, há dois jeitos: montar a própria regra e deixar o robô executar, no Centurion, ou escolher uma estratégia pronta com o histórico publicado, nas nossas estratégias na OnTick.