Análise técnica · Robôs de investimento
Price action: o que é, o que mede e como vira regra num robô
Ler o preço sem indicador: estrutura, níveis, rompimento, retorno e o candle de rejeição. O que cada leitura mede, onde a subjetividade entra e como vira regra.
Por Marcelo Hoepfner

Price action é ler o preço sem indicador: só o gráfico, com as máximas, as mínimas, os candles e o que eles fizeram nos últimos minutos ou dias. Quem procura o termo costuma estar cansado de indicador que atrasa e quer "ver o mercado direto". A ideia é boa e antiga (é a Teoria de Dow com lupa), e tem um problema conhecido: sem número, cada um vê uma coisa. Este artigo diz o que o price action mede, onde a subjetividade entra e como cada leitura vira uma regra que um robô executa igual todo dia.
O que se lê no preço
Tudo o que o price action faz cabe em cinco leituras:
- Estrutura. Topos e fundos em sequência. Topos e fundos mais altos são tendência de alta; mais baixos, de baixa; alternados, lateral. É a definição de tendência de Dow, que está em Teoria de Dow em uma página.
- Níveis. Preços em que o mercado parou antes: a máxima e a mínima do dia anterior, a abertura, um topo antigo. O preço não "respeita" nível por mágica; respeita porque tem ordem parada ali. Os níveis do dia estão em Pivot points e níveis do dia anterior.
- Rompimento. O preço passa de um nível e segue. É o setup mais antigo que existe, e o mais fácil de definir em número: Rompimento de máximas e mínimas.
- Retorno (pullback). Depois de romper, o preço volta ao nível e continua. O price action compra o retorno, não o rompimento, para pagar menos; o custo é perder os movimentos que não voltam.
- O candle. A forma de um candle diz quem venceu naquele período: corpo grande é decisão, pavio grande é rejeição, corpo pequeno com pavios é dúvida. Os padrões estão em Candles: os padrões básicos, Padrões de reversão e Padrões de continuação.
Os setups de price action mais usados no Brasil são combinações dessas leituras: o inside bar (candle de dúvida dentro do anterior, entra no rompimento), o 123 (um fundo mais alto que o anterior, entra no rompimento do topo do meio), o FFFD (rompeu e voltou, entra contra), e o gap de abertura. O que hoje se chama de Smart Money Concepts é price action com outros nomes, e está em Smart Money Concepts sem culto.
Onde a subjetividade entra
"Compra no candle de rejeição no suporte" parece uma regra. Não é, enquanto três coisas não tiverem número:
- O que é rejeição. Pavio maior que o corpo? Duas vezes o corpo? Contado do fechamento ou da abertura?
- O que é suporte. A mínima dos últimos 20 candles? A mínima do dia anterior? Com tolerância de quantos pontos?
- O que é "no" suporte. O candle tocou o nível? Fechou acima dele? A quantos pontos?
Sem isso, o mesmo gráfico gera três operações diferentes em três leitores, e a pessoa que olha o histórico depois enxerga só as que deram certo: o olho acha padrão onde quer. É por isso que o price action tem tantos seguidores e tão poucos históricos publicados. O teste de uma regra de price action é o mesmo de qualquer outra: escrever, testar e contar, o que está em Da estratégia manual ao robô.

As mesmas leituras com número
Cada leitura vira uma definição objetiva, e há mais de um jeito de definir; o que importa é escolher um e testar:
- Estrutura: topo é a máxima de um candle maior que as N máximas de cada lado (N = 3, por exemplo); tendência de alta é o último topo maior que o anterior e o último fundo maior que o anterior.
- Nível: a máxima e a mínima do dia anterior, sem tolerância; ou a máxima dos últimos 20 candles.
- Rompimento: fechamento acima do nível, não toque; ou toque mais X pontos.
- Retorno: o preço volta até o nível (ou até uma distância dele) depois de um rompimento válido, dentro de M candles.
- Rejeição: pavio inferior maior ou igual a duas vezes o corpo, corpo fechando no terço superior do candle.
Com isso, o setup "compra no candle de rejeição no suporte" vira: "o candle tem pavio inferior de pelo menos duas vezes o corpo, a mínima dele está a no máximo 30 pontos da mínima do dia anterior, e a entrada é no rompimento da máxima dele, com stop na mínima". Isso um robô executa, e isso um backtest conta.
O que o price action não resolve
O contexto. Um rompimento na abertura, no meio do dia e no leilão de fechamento não são o mesmo rompimento. A regra precisa de horário, e o horário é um filtro como os outros: Filtros que impedem a operação.
O custo. Price action costuma buscar alvos curtos com stops curtos; é nessa faixa que o custo por operação mais pesa. A conta está em Custo operacional na B3 e o caso extremo em Scalping.
A amostra. Uma regra de price action bem definida gera poucas operações por dia. Para julgá-la, são meses de histórico, e o número está em Quantas operações para julgar um robô.
Como vira regra num robô
No Centurion, as leituras de price action são blocos prontos: máximas e mínimas, níveis do dia anterior, janela de abertura, gap de abertura, inside candle, padrões de candle, amplitude do candle, estrutura de mercado (topos e fundos), linha de tendência, topo e fundo duplos, consolidação, rompimento com deslocamento da base. Cada bloco já traz a definição com número, e o que você monta com eles passa pelo mesmo teste que qualquer estratégia. Entre as estratégias prontas da OnTick, três nascem dessas leituras no mini-índice: a Irídio (rompimentos com força), a Nióbio (suportes e resistências recentes) e a Platina (o recuo dentro da tendência), cada uma com o histórico publicado, ano a ano, com a maior queda ao lado. É o jeito de ver o que uma regra de price action faz quando é contada em vez de lembrada.


