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Custo operacional na B3: quanto o robô precisa ganhar para empatar
Corretagem, emolumentos, o imposto retido e o custo que não aparece na nota. Como transformar tudo em pontos por operação e testar com o custo dentro.
Por Marcelo Hoepfner · 4 min de leitura

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Toda operação começa perdendo. Antes de o mercado andar um ponto, você já pagou a corretagem, os emolumentos da bolsa e, se for day trade, deixou um imposto retido na saída. Um robô que faz uma ou duas operações por dia paga isso duzentas, quatrocentas vezes por ano. Quem testa a estratégia sem esse custo dentro está testando outra estratégia.
As partes do custo
Corretagem. O que a corretora cobra, e o jeito de cobrar muda de corretora para corretora. Há três formas na B3: por ordem (um valor fixo por ordem executada, seja de 1 ou de 10 contratos), por contrato (um valor por minicontrato, a forma mais comum nos minis) e por volume (um percentual do valor negociado, a antiga tabela Bovespa, mais comum em ações). A forma muda a conta do robô: por ordem, o custo por contrato cai quando o lote cresce; por contrato, é o mesmo em qualquer lote; por volume, cresce com o preço do ativo. Varia de zero a alguns reais, e é a única parte que você escolhe. "Zero" existe, e vale ler o resto da tabela: às vezes o custo migra para a plataforma ou para a custódia.
Emolumentos e taxa de registro. O que a B3 cobra por contrato negociado. É igual em toda corretora, tem valores diferentes para day trade e para posição, e a tabela vigente está no site da B3 (procure por "tarifas" e o contrato de índice). Muda de tempos em tempos; não decore.
Imposto retido na fonte. No day trade, a corretora retém 1% do ganho líquido do dia (o "dedo-duro"), que depois é abatido do imposto devido. Não é custo a mais no total, mas sai do caixa na hora. A regra completa está em Imposto de renda no day trade com robô.
O custo que não aparece na nota. A diferença entre o preço que a regra queria e o preço que saiu: o spread (a diferença entre a melhor compra e a melhor venda) e o deslize (a ordem a mercado que executa um ou dois ticks pior). No mini-índice, o preço anda de 5 em 5 pontos, e cada ponto é R$ 0,20: um tick é R$ 1,00 por contrato. Um tick por perna, ida e volta, são R$ 2,00 por contrato por operação. Em muitas contas, isso é maior do que a corretagem. (No mini dólar, o passo é de 0,5 ponto e o ponto vale R$ 10: o tick é R$ 5,00.) Como o teste engana aqui está em Backtest, conta demo e conta real.

A conta em pontos
O jeito de enxergar o custo é convertê-lo em pontos do ativo, porque é em pontos que o alvo e o stop são pensados.
Some tudo o que sai por contrato numa operação completa (compra e venda): corretagem das duas pernas, emolumentos das duas pernas, o spread e o deslize estimados. Divida por R$ 0,20. O resultado é quantos pontos a operação precisa andar a favor só para empatar.
Exemplo com números inventados, só para a conta: R$ 0,60 de corretagem e emolumentos por perna dá R$ 1,20 na ida e volta; mais um tick de spread e um de deslize (10 pontos, R$ 2,00); total R$ 3,20, que são 16 pontos. Uma estratégia com alvo de 40 pontos perde 40% do alvo em custo. Uma com alvo de 400, 4%.
É por isso que estratégias de alvo curto (o scalping) vivem ou morrem pelo custo, e estratégias de alvo longo quase não o sentem. O custo não decide se a regra é boa; decide qual alvo mínimo uma regra precisa ter para valer a pena.
Como testar com o custo dentro
O simulador do MetaTrader 5 aceita comissão por contrato nas propriedades do símbolo (ou no robô, como parâmetro), e simula spread e atraso de execução. Coloque o custo total em pontos e rode a estratégia duas vezes: sem custo e com. A diferença é o que você paga por ano para operar aquela regra. Se a diferença come o resultado, a regra precisa de alvo maior ou de menos operações, não de mais otimização.
Nas nossas fichas, o resultado é apresentado sem corretagem e diz isso na própria página; a conta do custo é sua, com a tabela da sua corretora, e é a primeira coisa que recomendamos fazer antes de assinar. A margem técnica, que define o capital, não inclui custo.
O custo e o lote
Emolumentos são por contrato: dobrou o lote, dobrou o custo, e a proporção sobre o resultado fica igual. A corretagem depende da forma de cobrança: por contrato, acompanha o lote; por ordem, dilui conforme o lote cresce (é o caso em que operar 1 contrato sai proporcionalmente mais caro). O spread e o deslize vão na direção contrária: um lote grande a mercado consome o book e paga mais pontos por contrato. É um custo que cresce com o tamanho, e explicamos em Lote grande a mercado.
Como vira regra num robô
Um custo por contrato, informado à estratégia, para que o resultado que ela enxerga seja o da conta e não o da tela; e uma escolha sua: alvo mínimo que cubra o custo com folga. No Centurion, o Custo Operacional (B3) é um bloco de risco: o custo é descontado no resultado e nos limites financeiros, para que o "limite de perda do dia" seja o da conta, não o da tela.
Custo não se elimina. Se mede, se coloca no teste e se escolhe a regra que sobrevive a ele.
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