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Custo operacional na B3: quanto o robô precisa ganhar para empatar

Corretagem, emolumentos, o imposto retido e o custo que não aparece na nota. Como transformar tudo em pontos por operação e testar com o custo dentro.

Toda operação começa perdendo. Antes de o mercado andar um ponto, você já pagou a corretagem, os emolumentos da bolsa e, se for day trade, deixou um imposto retido na saída. Um robô que faz uma ou duas operações por dia paga isso duzentas, quatrocentas vezes por ano. Quem testa a estratégia sem esse custo dentro está testando outra estratégia.

As partes do custo

Corretagem. O que a corretora cobra por contrato, por ordem executada. Varia de zero a alguns reais, e é a única parte que você escolhe. "Zero" existe, e vale ler o resto da tabela: às vezes o custo migra para a plataforma ou para a custódia.

Emolumentos e taxa de registro. O que a B3 cobra por contrato negociado. É igual em toda corretora, tem valores diferentes para day trade e para posição, e a tabela vigente está no site da B3 (procure por "tarifas" e o contrato de índice). Muda de tempos em tempos; não decore.

Imposto retido na fonte. No day trade, a corretora retém 1% do ganho líquido do dia (o "dedo-duro"), que depois é abatido do imposto devido. Não é custo a mais no total, mas sai do caixa na hora. A regra completa está em Imposto de renda no day trade com robô.

O custo que não aparece na nota. A diferença entre o preço que a regra queria e o preço que saiu: o spread (a diferença entre a melhor compra e a melhor venda) e o deslize (a ordem a mercado que executa um ou dois pontos pior). No mini-índice, um ponto é R$ 0,20 por contrato, e dois pontos por perna, ida e volta, são R$ 0,80 por contrato por operação. Em muitas contas, isso é maior do que a corretagem. Como o teste engana aqui está em Backtest, conta demo e conta real.

Uma barra dividida em quatro partes, corretagem, emolumentos, spread e deslize, comparada com uma régua em pontos do mini-índice; ao lado, a mesma barra multiplicada por 200 operações no ano
O custo de uma operação parece pequeno. Multiplicado pelas operações do ano, é a diferença entre ganhar e empatar. Ilustração.

A conta em pontos

O jeito de enxergar o custo é convertê-lo em pontos do ativo, porque é em pontos que o alvo e o stop são pensados.

Some tudo o que sai por contrato numa operação completa (compra e venda): corretagem das duas pernas, emolumentos das duas pernas, o spread e o deslize estimados. Divida por R$ 0,20. O resultado é quantos pontos a operação precisa andar a favor só para empatar.

Exemplo com números inventados, só para a conta: R$ 0,60 de corretagem e emolumentos por perna dá R$ 1,20 na ida e volta; mais 2 pontos de spread e deslize (R$ 0,40); total R$ 1,60, que são 8 pontos. Uma estratégia com alvo de 40 pontos perde 20% do alvo em custo. Uma com alvo de 400, 2%.

É por isso que estratégias de alvo curto (o scalping) vivem ou morrem pelo custo, e estratégias de alvo longo quase não o sentem. O custo não decide se a regra é boa; decide qual alvo mínimo uma regra precisa ter para valer a pena.

Como testar com o custo dentro

O simulador do MetaTrader 5 aceita comissão por contrato nas propriedades do símbolo (ou no robô, como parâmetro), e simula spread e atraso de execução. Coloque o custo total em pontos e rode a estratégia duas vezes: sem custo e com. A diferença é o que você paga por ano para operar aquela regra. Se a diferença come o resultado, a regra precisa de alvo maior ou de menos operações, não de mais otimização.

Nas nossas fichas, o resultado é apresentado sem corretagem e diz isso na própria página; a conta do custo é sua, com a tabela da sua corretora, e é a primeira coisa que recomendamos fazer antes de assinar. A margem técnica, que define o capital, não inclui custo.

O custo e o lote

Corretagem e emolumentos são por contrato: dobrou o lote, dobrou o custo, e a proporção sobre o resultado fica igual. O spread e o deslize não: um lote grande a mercado consome o book e paga mais pontos por contrato. É um custo que cresce com o tamanho, e explicamos em Lote grande a mercado.

Como vira regra num robô

Um custo por contrato, informado à estratégia, para que o resultado que ela enxerga seja o da conta e não o da tela; e uma escolha sua: alvo mínimo que cubra o custo com folga. No Centurion, o Custo Operacional (B3) é um bloco de risco: o custo é descontado no resultado e nos limites financeiros, para que o "limite de perda do dia" seja o da conta, não o da tela.

Custo não se elimina. Se mede, se coloca no teste e se escolhe a regra que sobrevive a ele.