Mini-índice para iniciantes: do zero ao primeiro contrato
O caminho na ordem certa: entender o contrato, conta e demo, uma regra, o teste, um contrato com limite, aumentar pela regra. O que pular custa caro.
Por Marcelo Hoepfner

O mini-índice é o contrato por onde quase todo mundo começa no day trade brasileiro, e é também onde a maioria termina em poucos meses. A diferença entre os dois grupos raramente é inteligência ou capital: é a ordem em que as coisas foram feitas. Este é o caminho que a gente indica para quem está começando do zero, com o que vem antes e o que vem depois.
1. Entenda o contrato antes de abrir conta
O mini-índice (WIN) é um contrato futuro do Ibovespa. Cada ponto vale R$ 0,20 por contrato; o contrato vence a cada dois meses e troca de código; o resultado do dia é acertado na sua conta pelo ajuste diário; para abrir um contrato, a corretora bloqueia uma garantia. Quatro fatos, e cada um tem uma página: Mercado futuro de mini-índice, Vencimento e rolagem, Margem de garantia.
Quem pula isso descobre o vencimento no dia em que o gráfico para de andar.
2. Abra a conta e, primeiro, a demo
Uma corretora com o mini-índice e com a plataforma que você vai usar. Se a ideia é operar com robô, a plataforma é o MetaTrader 5, e o que conferir na corretora está em Corretoras com MetaTrader 5 na B3. Antes de qualquer contrato real, a conta demo: cotação de verdade, dinheiro de mentira. É onde se aprende a plataforma, os tipos de ordem e o que o mercado faz na abertura, sem pagar por isso.
Duas semanas na demo é o mínimo. Não para "ganhar na demo", que não prova nada; para não errar o botão na real.
3. Escolha uma regra, não um palpite
O erro que define quem sai em três meses: começar a operar "pelo que parece". Sem regra, cada operação é uma decisão nova, e a sequência de decisões novas sob pressão é o que a estatística do day trade mostra que perde. Os números estão em Day trade vale a pena?.
Uma regra é uma frase que diz quando entra, quando sai, onde fica o stop e quando não opera. Pode ser a mais simples que existe (um rompimento, um cruzamento de médias, um setup de candle), contanto que esteja escrita. O que precisa estar escrito está em Da estratégia manual ao robô; os setups mais programados no mini-índice estão em Setup para mini-índice.

4. Teste a regra antes de arriscar
No histórico, para saber o que ela faz em anos de mercado; na demo, para ver a execução. O que um teste honesto mostra: a taxa de acerto, o tamanho médio do ganho e da perda, a maior queda e o tempo para recuperar. Sem esses números, você não tem uma regra: tem uma esperança. Como testar está em Backtest, forward test e walk-forward, e o que os números querem dizer em Fator de lucro, payoff e taxa de acerto.
5. Um contrato, com limite
O primeiro mês real é com um contrato, e com um limite de perda por dia escrito antes de abrir o pregão. O objetivo do mês não é ganhar: é conferir se a execução real bate com o teste (custo, deslize, o seu comportamento). A maioria das surpresas do day trade aparece nesse mês, e com um contrato elas custam pouco.
O capital que precisa estar na conta não é a garantia: é o que cobre a pior fase da regra com folga. A conta está em Margem técnica. E o limite do dia está em Limite de perda por dia, semana e mês.
6. Aumentar, só pela regra
Depois de meses, não de dias, e por uma regra de dimensionamento (o risco por operação como fração do capital), não pela empolgação de uma semana boa. Como calcular o lote está em Dimensionamento de posição.
O que não precisa de pressa
- Indicadores. Um basta para começar. Quem coloca oito na tela não opera nenhum.
- Sala ao vivo, sinais, grupos. Não são regra; são a opinião de outra pessoa em tempo real.
- Robô. O robô executa a regra sem as suas exceções, e para quem já tem uma regra ele é o passo natural. Para quem não tem, ele executa a falta de regra com perfeição. O que ele é está em Robô trader: o que é; a alternativa de usar uma regra pronta, com histórico público, está nas nossas estratégias na OnTick.
O que custa caro pular
Pular o contrato (descobrir o vencimento na prática), pular a demo (errar o botão com dinheiro), pular a regra (operar por palpite), pular o teste (não saber a pior fase), pular o limite (o dia em que se perde o mês), pular a conta do lote (dobrar depois de ganhar). Cada um desses tem nome, e todos têm o mesmo preço: a conta que não chega ao segundo ano.
Começar devagar não é falta de ambição. É a única forma de ainda estar no mercado quando a regra provar que funciona.


