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Margem técnica: quanto de capital uma estratégia precisa

Não é a margem da corretora. É o capital que atravessa a pior fase da estratégia com folga: duas vezes a perda máxima mais três desvios do dia. Como usar.

"Quanto eu preciso ter para rodar essa estratégia?" tem duas respostas, e a errada é a mais comum. A errada é a margem de garantia que a corretora exige para abrir um contrato. A certa é o capital que a estratégia precisa para atravessar a pior fase que ela já teve, e mais um pouco, porque a próxima pior fase ainda não aconteceu. Chamamos isso de margem técnica, e é o número que aparece em cada uma das nossas fichas.

Margem de garantia não é capital

A margem de garantia é o que a B3 e a corretora bloqueiam na sua conta para você carregar um contrato. É pequena em relação ao tamanho do contrato (é o que faz o mini-índice ser alavancado) e existe para proteger a bolsa, não você. Operar com o capital igual à margem de garantia é operar até o primeiro dia ruim.

A conta da margem técnica

Margem técnica = 2 × a perda máxima + 3 desvios do dia

Cada termo tem um motivo:

A perda máxima é a maior queda do histórico: do pico ao fundo, quanto a estratégia perdeu antes de voltar a subir, com 1 minicontrato. É o pior que já aconteceu. Como ler o número está em Drawdown: como ler a perda máxima.

Duas vezes porque o futuro tem quedas maiores que o passado. A maior queda de um histórico de cinco anos é a maior de cinco anos; a de dez anos costuma ser maior. Dobrar é a folga para a queda que ainda não aconteceu, e para o caso de ela começar amanhã, no seu primeiro dia.

Três desvios do dia é a folga para o dia ruim dentro da queda. O desvio padrão dos resultados diários mede o quanto um dia típico oscila; três desvios cobre quase todos os dias que a estratégia já teve. É o que impede que um dia muito ruim, no fundo da queda, force uma saída no pior momento.

Uma curva de capital com a maior queda marcada; ao lado, a régua da margem técnica em três partes empilhadas: a perda máxima, a perda máxima de novo, e os três desvios do dia no topo
A perda máxima duas vezes, e três dias ruins em cima. É o capital que atravessa a pior fase com folga. Ilustração.

As outras réguas da ficha

As fichas mostram quatro margens, da mais fina à mais grossa, para 1 minicontrato:

  • Mínima: a perda máxima. Sobrevive ao passado, sem folga nenhuma.
  • OnTick: 2 × a perda máxima. A folga para a queda maior.
  • Técnica, a sugerida: 2 × a perda máxima + 3 desvios do dia. A que o construtor de portfólios usa para dizer o que cabe no seu capital.
  • Conservadora: 1,5 × a técnica. Para quem quer dormir melhor.

Nenhuma delas é "a certa". São graus de folga, e a escolha é sua; a sugerida é a que a gente usaria.

Como usar a conta

  1. Escolha o lote. A margem técnica é para 1 minicontrato. Para 3, multiplique por 3. O lote vem da conta de risco por operação, em Dimensionamento de posição.
  2. Separe o capital. A margem técnica é dinheiro que fica na conta da corretora dedicado à estratégia. Não é "o que eu tenho"; é o que essa estratégia pode consumir na pior fase sem que você precise decidir nada.
  3. Compare com o retorno. A média mensal da ficha dividida pela margem técnica é o retorno mensal sobre o capital que a estratégia de fato usa. É esse número, e não a média mensal solta, que se compara com o CDI. A comparação certa está em Comparar um robô com o CDI e o Ibovespa.
  4. Some as estratégias. Duas estratégias precisam de menos que a soma das margens se as quedas delas não coincidem. É o que o construtor de portfólios da OnTick calcula, e explicamos o princípio em Juntar estratégias muda o risco.

O que a margem técnica não inclui

  • Custo de corretagem. Os números das fichas são sem corretagem, e a margem vem deles. Some o custo do seu período à conta: Custo operacional na B3.
  • O seu limite. Se você não aguenta ver a conta cair 2 × a perda máxima, a margem certa para você é maior, ou a estratégia é outra. O número é uma régua de sobrevivência, não de conforto.
  • Uma garantia. A pior fase futura pode ser maior que duas vezes a passada. A margem técnica torna isso improvável, não impossível. É o mesmo aviso de sempre: Não existe estratégia infalível.

Capital insuficiente é uma das causas mais comuns de estratégia boa abandonada: a pessoa entra com o mínimo, a queda normal chega, o dinheiro acaba antes da recuperação. A margem técnica existe para que a queda normal seja só isso: normal.