Robôs de investimento · Mini índice

Dimensionamento de posição: quantos contratos por operação

O lote é uma conta entre o risco por operação, o stop e o capital. As três formas de dimensionar e por que o lote errado quebra até estratégia boa.

Uma estratégia com resultado positivo pode quebrar uma conta. Basta o lote errado. O dimensionamento é a regra que decide quantos contratos entram em cada operação, e é a parte do gerenciamento de risco que mais gente decide "no feeling" e menos gente testa.

A pergunta certa

Não é "quantos contratos eu quero operar". É "quanto eu aceito perder nesta operação, e quantos contratos cabem nisso". A ordem importa: primeiro o risco, depois o lote.

Numa compra de mini-índice com stop de 150 pontos, cada contrato arrisca 150 × R$ 0,20 = R$ 30. Se você decidiu arriscar R$ 90 por operação, o lote é 3. Se o stop da próxima operação for de 300 pontos, o mesmo risco de R$ 90 dá 1 contrato e sobra. É a conta inteira, e quase ninguém faz.

As três formas de dimensionar

Lote fixo. Sempre N contratos. Simples, testável, e é o que a maioria das fichas de estratégia mostra (as nossas usam 1 minicontrato como referência). O defeito: o risco por operação varia com o tamanho do stop, e a conta não cresce nem encolhe com o capital.

Risco fixo em dinheiro (ou percentual do capital). "Arrisco R$ X por operação" ou "arrisco 1% da conta". O lote é calculado a cada operação a partir do stop. O risco fica constante; o lote varia. É a forma que faz sentido para robô, porque o robô sabe o stop antes de entrar e faz a conta na hora.

Lote pelo capital. "Um contrato para cada R$ Y de conta." Cresce com a conta, encolhe na queda. Combina com a forma anterior: o percentual define o risco, o capital define o teto.

Três operações com stops de tamanhos diferentes (100, 200 e 300 pontos); com risco fixo de R$ 60 por operação, o lote vai de 3 contratos para 1; com lote fixo de 2, o risco vai de R$ 40 a R$ 120
Risco fixo: o lote muda com o stop. Lote fixo: o risco muda com o stop. Ilustração com o mini-índice a R$ 0,20 o ponto.

O percentual que cabe

Qual percentual arriscar por operação? A resposta vem de dois números do histórico da estratégia: a maior sequência de perdas e a maior queda.

Se a estratégia já teve 8 stops seguidos, arriscar 5% por operação significa uma queda de 34% da conta numa sequência que já aconteceu (e a próxima pode ser maior). Com 1%, a mesma sequência custa 8%. A conta é a de juros compostos ao contrário: cada perda incide sobre o que sobrou.

E a queda de 34% exige cerca de 51% de ganho para voltar. A de 8% exige pouco mais de 8%. Explicamos a assimetria da recuperação em Drawdown: como ler a perda máxima.

Não existe percentual certo; existe o percentual que deixa a maior queda do histórico (com folga) num tamanho que a sua conta e o seu estômago aguentam. Para a maioria das pessoas com estratégias de day trade no mini-índice, o número que sai dessa conta é menor do que elas gostariam.

Onde o dimensionamento engana

  • Aumentar o lote depois de ganhar. A conta cresceu, o lote cresce: certo se for pela regra, errado se for pela euforia. A regra escala devagar; a euforia dobra.
  • Aumentar o lote depois de perder. "Para recuperar." É o caminho mais curto para a conta zero, e é exatamente o que o limite de perda existe para impedir: Limite de perda por dia, semana e mês.
  • Ignorar o custo por contrato. Com lote pequeno, a corretagem pesa mais por ponto ganho. A conta está em Custo operacional na B3.
  • Ignorar a liquidez. Um lote grande a mercado paga o próprio tamanho no book. Falamos disso em Lote grande a mercado.
  • Confundir dimensionar com piramidar. Dimensionar é decidir o lote da entrada; piramidar é aumentar durante a operação. São regras diferentes, e a segunda está em Aumento de posição.

E o capital mínimo?

Vem da mesma conta, ao contrário: o capital precisa cobrir a maior queda do histórico com folga, no lote que você vai operar. Para 1 minicontrato, é o que as fichas chamam de margem técnica, e explicamos em Margem técnica. Para N contratos, multiplique.

Como vira regra num robô

Um risco por operação (em dinheiro ou percentual do capital), o stop da operação, e a divisão que dá o lote, com um teto e um piso. No Centurion, o Dimensionamento da Posição é um bloco de risco com essas formas; o lote condicional muda o tamanho conforme um filtro confirmar; o limite financeiro por operação é o teto. O robô faz a conta a cada entrada, o que é a única forma de o risco por operação ficar de fato constante.