Chamada de margem: o que é, quando acontece e como não chegar nela
Quando a corretora pede depósito ou zera a sua posição: a chamada de margem no mini-índice e no mini dólar, no day trade e na posição, e as regras que evitam.
Por Marcelo Hoepfner

Chamada de margem é o aviso da corretora de que a garantia da sua posição ficou descoberta: o dinheiro na conta não cobre mais o que a posição exige. Ela pede depósito. Se o depósito não vem, ela zera a posição por você, no preço que houver, e cobra o que faltar. Não é punição. É a regra que deixa o mercado de futuros funcionar com garantia pequena.
De onde vem
Quem opera mini-índice ou mini dólar não paga o valor do contrato: deixa uma garantia bloqueada e acerta as diferenças de preço todo dia. O que é essa garantia, e por que ela é pequena, está em Margem de garantia no mini-índice e no mini dólar. A chamada de margem acontece quando a conta deixa de cobrir essa garantia. Três caminhos levam lá:
- O prejuízo da posição. O ajuste diário debita a perda do dia na sua conta; o saldo cai abaixo do que a garantia exige.
- A garantia sobe. A B3 recalcula a margem pela volatilidade. Num período agitado, o mesmo contrato passa a exigir mais, e a conta que cobria ontem não cobre hoje, sem você ter perdido um real.
- A corretora exige mais. Ela pode pedir acima do mínimo da B3, e pode mudar a exigência em dia de risco.

No day trade é diferente
Para quem abre e fecha no mesmo dia, a corretora costuma exigir uma garantia bem menor, e o controle é outro: em vez de pedir depósito, a mesa de risco acompanha a perda da conta durante o pregão e zera a posição quando ela chega ao limite que o contrato da corretora define. Não há telefonema nem prazo. Há um preço em que a sua posição deixa de ser sua.
E perto do fim do pregão, quem ainda estiver posicionado em day trade é zerado compulsoriamente, no horário que a corretora definir, porque aquela garantia menor não cobre a noite.
O que custa
Uma zeragem compulsória é a pior saída possível de uma operação:
- Sai no pior momento, porque foi a perda que disparou a zeragem.
- Sai no preço que houver, a mercado, com o deslize que o momento tiver.
- Pode custar mais que o prejuízo: muitas corretoras cobram uma taxa pela zeragem feita pela mesa.
- Pode deixar saldo negativo, que vira dívida com a corretora, se o salto de preço for maior que o saldo.
Um exemplo com números inventados
Conta de R$ 3.000. Três minicontratos de mini-índice carregados para o dia seguinte, com uma garantia de R$ 2.700 no total. O índice abre 1.500 pontos contra a posição: o ajuste debita 1.500 × R$ 0,20 × 3 = R$ 900. O saldo cai para R$ 2.100, abaixo da garantia de R$ 2.700. Chamada de margem.
Com um contrato só, o mesmo dia seria um ajuste de R$ 300, um saldo de R$ 2.700 e uma garantia de R$ 900. Sobra. A diferença entre os dois cenários não foi o mercado: foi o lote.
As regras que evitam
- O lote vem da conta de risco, não da garantia disponível. A garantia diz quantos contratos a corretora deixa abrir. A conta de risco diz quantos você aguenta. A segunda é sempre menor. Está em Dimensionamento de posição.
- Um limite de perda do dia menor que o da corretora. Assim, quem zera é a sua regra, antes da mesa de risco. Veja Limite de perda por dia, semana e mês.
- Carregar posição só com a garantia cheia e folga. Quem faz swing no mini-índice precisa da margem de posição mais o pior ajuste provável. Está em Swing trade com robô e o mini-índice no swing.
- Capital pela pior fase da estratégia. O capital certo é o que atravessa a maior queda do histórico com folga, não o que abre o contrato. A conta está em Margem técnica.
E, para entender por que o mini-índice deixa chegar tão perto da borda com tão pouco dinheiro, veja Alavancagem na bolsa.
No Centurion, o stop financeiro diário e o limite financeiro por operação fazem a regra 2 dentro da estratégia, e o dimensionamento pelo percentual de risco do capital faz a regra 1.


