Mini índice · Investimentos

Margem de garantia no mini-índice e no mini dólar: o que a corretora bloqueia

A garantia que a B3 exige por contrato, a redução do day trade, a chamada de margem e a zeragem, e a diferença entre ela e o capital que a estratégia precisa.

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"Com quanto eu começo a operar mini-índice?" tem duas respostas que as pessoas confundem: a margem de garantia, que é o que a corretora bloqueia para deixar você abrir um contrato, e o capital que uma estratégia precisa para sobreviver às perdas normais dela. A primeira é pequena e é o que a propaganda mostra. A segunda é a que decide se você continua no mercado depois do primeiro mês ruim.

O que a margem de garantia é

Um contrato futuro não é comprado; é assumido. Você não paga o valor do contrato (o mini-índice vale dezenas de milhares de reais; o mini dólar, US$ 10.000). Assume a obrigação de acertar as diferenças de preço, todo dia, pelo ajuste diário. Para garantir que você consegue pagar o ajuste de um dia ruim, a B3 exige um depósito: a margem de garantia, bloqueada na sua conta na corretora enquanto a posição estiver aberta.

O valor é definido pela B3 por contrato, a partir da volatilidade recente, e a corretora pode exigir mais que o mínimo. Muda com o tempo, e por isso não vale decorar número: a página da B3 sobre garantias e a tabela da sua corretora são a fonte.

A margem reduzida do day trade

Para quem abre e fecha no mesmo dia, as corretoras costumam exigir uma garantia muito menor que a de carregar posição: é a margem de day trade, que é a razão de o mini-índice ser conhecido como "o contrato que dá para operar com pouco". A garantia só cobre o risco intradiário, e é por isso que a corretora zera a posição compulsoriamente perto do fim do pregão se você não zerar: sem a garantia cheia, ninguém carrega para o dia seguinte.

Duas colunas: à esquerda, a margem de garantia como uma fatia pequena bloqueada na conta, com a chamada de margem quando o saldo cai; à direita, o capital da estratégia como uma reserva maior, calculada pela pior fase do histórico
A garantia cobre o risco de um dia para a bolsa. O capital cobre a pior fase da estratégia para você. Ilustração.

O que acontece quando o dinheiro acaba

Se o ajuste ou o prejuízo do dia consome o saldo e a garantia fica descoberta, a corretora faz a chamada de margem: pede depósito. Se não vier, a corretora zera a posição compulsoriamente, no preço que houver, e cobra o que faltar. É o pior jeito de sair de uma operação, e é o destino de quem opera com o capital igual à margem.

No day trade, o mecanismo é ainda mais rápido: a corretora tem um limite de perda por conta e zera quando ele é atingido, sem perguntar. Um robô com limite de perda do dia menor que o da corretora nunca chega lá; sem limite, chega. Sobre os limites: Limite de perda por dia, semana e mês.

Margem de garantia contra capital da estratégia

A margem de garantia protege a bolsa. O capital protege você. A diferença em números:

  • Margem de garantia: o risco de um dia, calculado pela B3, para um contrato. Pequena.
  • Capital da estratégia: a pior fase que a estratégia já teve (a maior queda do histórico), com folga para uma pior, mais o dia ruim dentro dela. Nas nossas fichas, é a margem técnica: 2 vezes a perda máxima mais 3 desvios do dia, para 1 minicontrato. A conta está em Margem técnica: quanto de capital uma estratégia precisa.

O capital é várias vezes a garantia. Quem coloca na conta só a garantia consegue abrir o contrato, e não consegue atravessar a primeira sequência de stops: a chamada de margem chega antes da recuperação.

No mini dólar

A mesma lógica, com números próprios: o mini dólar tem a própria margem por contrato, também com redução para day trade, e como o ponto vale R$ 10, uma perda de 50 pontos são R$ 500 por contrato. A conta da garantia e a do capital precisam ser feitas no contrato certo. O que o contrato é está em Mini dólar (WDO): o que é.

A alavancagem que ninguém explica

O mini-índice é alavancado por construção: com uma garantia pequena, você controla um contrato que vale muito mais. Um movimento de 1% do índice, num contrato de dezenas de milhares de reais, é uma variação de centenas de reais sobre uma garantia de poucas centenas ou milhares. É isso que faz o day trade em minicontratos ganhar e perder rápido, e é por isso que o lote precisa vir da conta de risco, não da garantia disponível. Quantos contratos cabem está em Dimensionamento de posição.

O que fazer

  1. Descubra a garantia por contrato na sua corretora, para posição e para day trade.
  2. Ignore-a como medida de capital. Ela diz se você pode abrir; não diz se você pode ficar.
  3. Calcule o capital pela pior fase da estratégia, com folga. Se a conta é maior do que você pode separar, o lote é menor, ou a estratégia é outra.
  4. Coloque um limite de perda do dia menor que o da corretora, para que quem zere seja a sua regra, não a mesa de risco.