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Suporte e resistência: como achar os níveis e como viram regra num robô

O que é suporte e resistência, como achar os níveis que o mercado inteiro olha (máximas, pivôs, dia anterior) e como virar regra de entrada, stop e alvo.

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Suporte é um preço onde a queda costuma parar. Resistência é um preço onde a alta costuma parar. É o conceito mais usado da análise técnica e o mais mal usado, porque qualquer pessoa consegue desenhar uma linha num gráfico passado e achar que ela "segurou". A pergunta que importa não é se a linha existe. É se ela existia antes, e se dá para escrever a regra que a encontra sem olhar para trás.

Por que um preço vira suporte

Não há mágica no nível. Há memória e ordens. Quem comprou num preço e viu cair quer sair "no zero a zero" quando o preço voltar lá: vira vendedor naquele ponto, e o que era suporte vira resistência. Quem ficou de fora de uma alta coloca ordem de compra no preço onde ela começou. Quem opera com stop coloca o stop logo abaixo da última mínima, e o mercado inteiro sabe disso.

É por isso que os níveis que funcionam são os que todo mundo vê: a máxima e a mínima do dia anterior, o fechamento de ontem, os pontos de pivô, os números redondos, o topo de uma alta recente. Um nível que só você enxerga não tem ninguém esperando nele.

Os níveis que dá para calcular

O problema do suporte desenhado à mão é que ele muda de lugar conforme quem desenha. Para virar regra, o nível precisa sair de uma conta:

  • Máxima e mínima do dia anterior, e o fechamento. São os preços que abrem o dia de todo mundo. Estão em Pivot points e níveis do dia anterior.
  • Pontos de pivô, calculados da máxima, da mínima e do fechamento de ontem. Mesmo quem não acredita neles sabe onde estão.
  • Máxima e mínima das últimas N barras, o canal de máximas e mínimas. É o suporte e a resistência mais objetivos que existem, e a base do rompimento em Rompimento de máximas e mínimas.
  • Topos e fundos marcados por uma regra de pivô: uma máxima com X candles mais baixos de cada lado. É o que a teoria de Dow chama de topo, só que escrito.
  • Números redondos no mini-índice (os milhares) e no dólar. Parecem superstição, e funcionam pelo mesmo motivo dos outros: muita ordem parada lá.
  • Retrações de Fibonacci sobre a última perna, para quem usa. A conta está em Fibonacci no gráfico.
Um gráfico de candles com três níveis horizontais calculados: a máxima do dia anterior como resistência, a mínima do dia anterior como suporte e um nível intermediário que foi resistência e depois virou suporte; setas marcam os toques e o rompimento
Três níveis calculados, e o que era teto virando piso depois do rompimento. Ilustração com preços inventados.

Nível não é linha, é faixa

O preço raramente para no ponto exato. Passa um pouco, volta, testa de novo. Quem trata o nível como uma linha fina toma stop por um tick e vê o preço virar a favor logo depois. Duas saídas honestas:

  1. Uma tolerância em pontos, escrita na regra: "tocar" o suporte é chegar a até 15 pontos dele, no mini-índice (lembre que ele anda de 5 em 5).
  2. Uma tolerância pela volatilidade: uma fração do ATR, que se ajusta sozinha ao dia agitado e ao dia parado. O ATR está em ATR: o tamanho do movimento.

As três regras que saem de um nível

Reação (compra no suporte, venda na resistência). O preço chega ao nível e a regra espera um sinal de rejeição: um candle que fecha de volta para dentro, uma sombra longa. O stop fica do outro lado do nível, com a folga da faixa. É o setup de quem opera lateralização, e perde quando o nível rompe de verdade.

Rompimento. O preço fecha além do nível, e a regra entra a favor. O stop fica de volta dentro. Perde nos rompimentos falsos, que são muitos; ganha nos que andam. O setup de rejeição do rompimento falso está em FFFD.

Troca de papel. Resistência rompida vira suporte. A regra espera o rompimento, espera o preço voltar ao nível rompido e entra quando ele segura. Entra menos vezes, com stop mais curto.

Nenhuma das três é melhor. São apostas diferentes sobre o mesmo nível, e o backtest da sua regra, no seu ativo, no seu horário, é o que diz qual paga.

Stop e alvo nos níveis

Mesmo quem não entra pelo nível deveria usar os níveis na saída:

  • Stop atrás do nível, nunca em cima dele. Stop exatamente na mínima de ontem é stop onde todo mundo está, e é onde o preço vai buscar liquidez.
  • Alvo antes do próximo nível, não em cima. Se a resistência está a 300 pontos, um alvo em 280 sai; um alvo em 305 depende de o mercado romper.
  • Stop móvel que sobe de nível em nível: a cada novo fundo marcado, o stop vai para baixo dele. As famílias de stop móvel estão em Stop móvel, trailing stop e stop ATR.

O teste que separa nível de enfeite

Desenhe as linhas num gráfico de meses atrás e todas "funcionam". O teste honesto:

  1. O nível sai de uma conta que podia ser feita naquele momento, sem olhar o que veio depois?
  2. A regra diz o que é tocar, o que é romper e o que é falhar, em pontos ou em fração do ATR?
  3. O resultado se sustenta fora do período em que você escolheu os parâmetros? O teste está em Backtest, forward test e walk-forward.

Se as três respostas forem sim, o nível virou regra. Se não, é um desenho bonito.

No robô

No Centurion, os níveis entram como blocos, sem desenhar nada: pontos de pivô, níveis do dia anterior, máximas e mínimas, canal de máximas e mínimas, linha de tendência, topo e fundo duplo. Cada um serve de gatilho ou de trava, e há um stop móvel que segue o suporte e a resistência marcados por fractal. O mapa do resto da análise técnica está em Análise técnica: o mapa.