Liquidez: por que ela decide o custo de cada operação
Liquidez é comprar e vender rápido sem mexer no preço. Volume, spread e profundidade do book, por que o mini-índice é o ativo dos robôs e como medir.
Por Marcelo Hoepfner

Liquidez é a facilidade de transformar um ativo em dinheiro, ou dinheiro no ativo, rápido e sem mexer no preço. Um ativo líquido tem sempre alguém do outro lado, a um tick de distância. Um ativo sem liquidez obriga você a esperar ou a aceitar um preço pior. Para quem investe no longo prazo, a liquidez decide se dá para sair quando precisar. Para quem opera todo dia, ela decide o custo de cada operação.
As três medidas
Volume. Quanto se negocia por dia, em reais ou em contratos. É a medida mais simples, e a mais citada.
Spread. A diferença entre o melhor preço de compra e o melhor de venda no book. No mini-índice, em horário normal, costuma ser de um tick, 5 pontos. Numa ação pouco negociada, pode ser de vários por cento. Quem entra e sai a mercado paga o spread nas duas pontas.
Profundidade. Quanto há em cada nível do book além do primeiro. Um ativo pode ter spread de um tick e só dez contratos no melhor preço: uma ordem de cem anda o book e executa pior. Está em Slippage e em Lote grande a mercado.

Por que o mini-índice é o ativo dos robôs
O mini-índice está entre os contratos mais negociados da B3. Isso dá a ele o que uma estratégia automatizada precisa: spread de um tick na maior parte do pregão, profundidade para lotes de varejo e execução quase imediata. Uma regra que ganha 30 pontos por operação só funciona se o custo de entrar e sair for pequeno perto desses 30 pontos, e isso depende da liquidez.
A mesma estratégia numa ação pouco negociada pagaria em spread e deslize boa parte do que ganha. As nossas estratégias na OnTick operam mini-índice.
A liquidez muda durante o dia e o ano
- Na abertura, o spread costuma abrir e o book fica raso por alguns minutos.
- No meio do dia, o volume cai.
- Na virada do vencimento, a liquidez migra do contrato que vence para o próximo; operar o velho no fim é operar num mercado vazio. Está em Vencimento e rolagem do mini-índice.
- Em feriados americanos, a B3 funciona com menos gente.
O horário de cada fase está em Melhor horário para operar mini-índice.
Liquidez no longo prazo
Para quem investe em ações, FII ou BDR, a liquidez decide se você consegue sair no preço de tela. Antes de comprar, olhe o volume médio diário e o spread. Um fundo imobiliário que negocia pouco pode exigir dias para vender uma posição média sem derrubar o preço. Está em Fundos imobiliários.
A liquidez que some quando você mais precisa
A liquidez não é constante, e o pior dela aparece justamente quando todo mundo quer sair ao mesmo tempo. Numa notícia forte, num dia de circuit breaker, numa abertura com gap, quem dava liquidez recua: as ofertas saem do livro, o spread abre e o preço salta de nível em nível. É o momento em que o stop desliza e em que vender uma posição grande custa caro.
Por isso a liquidez de um dia comum não é a medida do risco. A pergunta útil é: quanto essa posição custaria para sair no pior dia do último ano? Para o mini-índice, a resposta costuma ser alguns ticks a mais por contrato em lotes de varejo. Para uma ação pouco negociada, pode ser vários por cento. O dia do circuit breaker está em Circuit breaker na B3.
Como medir antes de operar
- Volume médio diário dos últimos meses, não do último dia.
- Spread médio no horário em que você pretende operar.
- Profundidade: quanto há nos três primeiros níveis do book, comparado com o seu lote.
- Custo real: compare o preço que a regra queria com o executado, nas primeiras operações com o menor lote.
Há também um tipo de liquidez oferecido pela própria corretora ao varejo, que muda o caminho da sua ordem: está em RLP.


