Operar vendido: como ganhar na queda e o risco que muda
Vender antes de comprar: no mini-índice é simétrico; em ações, exige aluguel (BTC) no swing e não no day trade. Como funciona e o risco sem teto.
Por Marcelo Hoepfner

Operar vendido é ganhar com a queda: vender primeiro, a um preço, e comprar depois, mais barato, ficando com a diferença. Parece estranho vender o que você não tem, e o jeito como isso funciona muda conforme o ativo. No mini-índice, é tão simples quanto comprar. Em ações, depende de a operação durar um dia ou mais.
No mini-índice e no mini dólar: simétrico
Um contrato futuro não é um papel que você possui; é um acordo sobre o preço futuro. Por isso vender é exatamente o espelho de comprar: você abre vendido com um clique, a margem de garantia é a mesma, e o ganho ou a perda por ponto é o mesmo, com o sinal trocado. Vendeu um minicontrato a 128.000 e o índice caiu para 127.700: ganho de 300 pontos, R$ 60. Se subiu para 128.300, perda de R$ 60.
É por isso que uma estratégia de mini-índice pode operar os dois lados sem diferença de custo: a regra decide o lado, não o contrato. O contrato está em Mercado futuro da B3.
Em ações, no day trade: vender e recomprar no mesmo dia
No day trade de ações, a corretora permite vender uma ação que você não tem e recomprar no mesmo pregão, sem aluguel, desde que a posição seja zerada no fim do dia. Se não for, a corretora zera por você ou exige o aluguel.
Em ações, por mais de um dia: o aluguel (BTC)
Para ficar vendido em ações por dias ou semanas, é preciso alugar as ações de alguém que as tem, pelo Banco de Títulos da B3 (BTC). Você:
- aluga as ações, pagando uma taxa anual proporcional ao tempo;
- vende no mercado;
- mais tarde, recompra e devolve ao dono.
Enquanto está alugado, os dividendos que a ação pagar são seus de pagar ao dono. E a taxa de aluguel varia muito: em ações disputadas para venda, pode ser alta.

O risco que muda
Quem compra uma ação pode perder, no máximo, o que pagou: o preço não cai abaixo de zero. Quem está vendido pode perder mais que isso: o preço não tem teto. Uma ação vendida a R$ 20 que dispara para R$ 60 dá uma perda de três vezes o valor da venda.
Na prática, o que limita essa perda é o stop, e ele pode pular: em notícia, em gap de abertura, em dia de circuit breaker. O stop que salta está em Slippage e o salto de mercado em Circuit breaker na B3. No mini-índice, a margem e o ajuste diário limitam a exposição do mesmo jeito para os dois lados.
Um exemplo de aluguel, com números inventados
Você aluga 1.000 ações cotadas a R$ 20 (R$ 20.000) a uma taxa de 3% ao ano e vende no mercado. O aluguel custa cerca de R$ 50 por mês.
Dois meses depois, a ação está em R$ 18. Você recompra as 1.000 por R$ 18.000 e devolve ao dono. O ganho bruto é R$ 2.000; menos R$ 100 de aluguel e os custos das operações. No meio do caminho, a empresa pagou R$ 0,50 de dividendo por ação: você deve R$ 500 ao dono das ações, e o ganho líquido cai para perto de R$ 1.400.
Se a ação tivesse ido a R$ 24, a recompra custaria R$ 24.000: perda de R$ 4.000, mais o aluguel. Na venda a descoberto, o dividendo e o tempo trabalham contra você.
Vender não é torcer contra
Vender não é pessimismo nem aposta contra o país. É um lado de uma regra: uma estratégia de tendência vende quando a tendência é de baixa, e uma de reversão vende o exagero de alta. Quem só compra fica parado, ou perdendo, em todo mercado de baixa. O que muda entre operar dos dois lados e só de um está em Swing trade: o que é e a diferença para o day trade, e a versão combinada, comprado num ativo e vendido em outro, em Long & short.


