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Circuit breaker na B3: o que acontece com as ordens e com o robô

As regras do circuit breaker da B3 (quedas de 10%, 15% e 20% do Ibovespa), o que acontece com o mini-índice e com as ordens na pausa e o que o robô precisa ter.

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Circuit breaker é o disjuntor da bolsa: quando o Ibovespa cai demais num dia, a B3 interrompe todos os negócios por um tempo. A ideia é dar uma pausa ao pânico, para que quem vende no desespero tenha tempo de pensar e quem compra tenha tempo de aparecer. Acontece raramente. Quando acontece, pega desprevenido quem acha que o stop resolve tudo.

As regras

As regras estão na página do circuit breaker da B3, e todas medem a queda do Ibovespa contra o fechamento do dia anterior:

  1. Queda de 10%: os negócios param por 30 minutos.
  2. Na volta, se a queda chegar a 15%: param de novo, por 1 hora.
  3. Na volta, se a queda chegar a 20%: a B3 pode suspender os negócios pelo prazo que ela definir, e avisa pelos canais oficiais.

Duas regras de horário completam o quadro: os estágios não podem ser acionados nos 30 minutos finais do pregão, e se houver interrupção na última hora, o fechamento é prorrogado em até 30 minutos.

A pausa vale para a bolsa inteira: ações e derivativos. O mini-índice para junto.

Quantas vezes aconteceu

Poucas, e sempre em crises que viraram capítulo de livro: a crise asiática em 1997, a desvalorização do real em 1999, a crise de 2008 e a pandemia em 2020, quando o circuit breaker foi acionado seis vezes só em março. O relato está no Bora Investir, da B3.

Seis vezes num mês é o número que importa para quem tem robô: o evento raro, quando vem, vem em série.

Um gráfico do Ibovespa num dia de queda, com as faixas de 10%, 15% e 20% marcadas em vermelho; o preço bate na primeira faixa, uma área cinza mostra os 30 minutos parados, o preço reabre mais baixo, e uma ordem stop que estava acima executa longe do gatilho
Um dia de circuit breaker: a pausa de 30 minutos e a reabertura longe do stop. Ilustração com preços inventados.

O que acontece com as suas ordens

Durante a pausa, não há negócio. Nenhuma ordem executa, nem a sua, nem o stop de ninguém.

O risco está na volta. O mercado pode reabrir longe de onde parou, e uma ordem stop acionada na reabertura vira ordem a mercado e executa no preço que houver, não no gatilho. Um stop de 200 pontos pode sair com 800. É o mesmo mecanismo do deslize, levado ao extremo, e está em Slippage.

No mini-índice, que tem ajuste diário, a queda também passa pelo ajuste de quem carrega posição: a diferença entre o preço de ajuste do dia e o de ontem entra na conta, e se o saldo não cobre a garantia, vem a chamada de margem. O que ela é e como evitar está em Chamada de margem.

O que acontece com o robô

O robô não sabe que a bolsa parou. Ele continua recebendo o relógio, tenta mandar ordem quando a regra pede, e o terminal pode recusar com erros de mercado fechado. Um robô bem feito trata a recusa e espera; um mal feito repete a ordem sem parar, ou entende a recusa como falha e desliga a proteção junto. Os códigos de recusa e o que cada um quer dizer estão em Os erros do MetaTrader 5 que travam um robô.

E ele não sabe que o dia é diferente. Uma estratégia de reversão compra a queda de 10% porque a regra manda comprar queda; uma de tendência vende porque a regra manda seguir. As duas estão fazendo o que foram testadas para fazer, num dia que talvez nem exista no teste delas.

O que o robô precisa ter

  • Stop financeiro do dia, além do stop da operação. O stop da operação é um preço; o do dia é um valor. Quando o preço salta, o do dia é o que limita o estrago na próxima operação. Está em Limite de perda por dia, semana e mês.
  • Lote que aguenta o pior dia, e não só o stop normal. Se um salto de quatro vezes o stop quebra a conta, o lote está grande. A conta está em Dimensionamento de posição.
  • Day trade zerado no fim do dia. Quem carrega posição carrega também o risco da abertura seguinte, que num período de crise é o maior do mês.
  • Uma trava de volatilidade, se a estratégia não foi feita para dias extremos: não operar quando a amplitude do dia passa de um limite. O que é volatilidade e como se mede está em Volatilidade.

O que não fazer no dia

Não religar na mão o que o robô desligou por limite. Não aumentar o lote "porque caiu demais". O dia do circuit breaker é o dia em que o mercado mostra o tamanho verdadeiro do risco, e a regra escrita num dia calmo é mais confiável que a decisão tomada no meio dele.

No Centurion, os stops financeiros por dia, semana e mês, a trava de volatilidade e a ação no horário-limite são blocos da própria estratégia, definidos antes do dia ruim.