Circuit breaker na B3: o que acontece com as ordens e com o robô
As regras do circuit breaker da B3 (quedas de 10%, 15% e 20% do Ibovespa), o que acontece com o mini-índice e com as ordens na pausa e o que o robô precisa ter.
Por Marcelo Hoepfner

Circuit breaker é o disjuntor da bolsa: quando o Ibovespa cai demais num dia, a B3 interrompe todos os negócios por um tempo. A ideia é dar uma pausa ao pânico, para que quem vende no desespero tenha tempo de pensar e quem compra tenha tempo de aparecer. Acontece raramente. Quando acontece, pega desprevenido quem acha que o stop resolve tudo.
As regras
As regras estão na página do circuit breaker da B3, e todas medem a queda do Ibovespa contra o fechamento do dia anterior:
- Queda de 10%: os negócios param por 30 minutos.
- Na volta, se a queda chegar a 15%: param de novo, por 1 hora.
- Na volta, se a queda chegar a 20%: a B3 pode suspender os negócios pelo prazo que ela definir, e avisa pelos canais oficiais.
Duas regras de horário completam o quadro: os estágios não podem ser acionados nos 30 minutos finais do pregão, e se houver interrupção na última hora, o fechamento é prorrogado em até 30 minutos.
A pausa vale para a bolsa inteira: ações e derivativos. O mini-índice para junto.
Quantas vezes aconteceu
Poucas, e sempre em crises que viraram capítulo de livro: a crise asiática em 1997, a desvalorização do real em 1999, a crise de 2008 e a pandemia em 2020, quando o circuit breaker foi acionado seis vezes só em março. O relato está no Bora Investir, da B3.
Seis vezes num mês é o número que importa para quem tem robô: o evento raro, quando vem, vem em série.

O que acontece com as suas ordens
Durante a pausa, não há negócio. Nenhuma ordem executa, nem a sua, nem o stop de ninguém.
O risco está na volta. O mercado pode reabrir longe de onde parou, e uma ordem stop acionada na reabertura vira ordem a mercado e executa no preço que houver, não no gatilho. Um stop de 200 pontos pode sair com 800. É o mesmo mecanismo do deslize, levado ao extremo, e está em Slippage.
No mini-índice, que tem ajuste diário, a queda também passa pelo ajuste de quem carrega posição: a diferença entre o preço de ajuste do dia e o de ontem entra na conta, e se o saldo não cobre a garantia, vem a chamada de margem. O que ela é e como evitar está em Chamada de margem.
O que acontece com o robô
O robô não sabe que a bolsa parou. Ele continua recebendo o relógio, tenta mandar ordem quando a regra pede, e o terminal pode recusar com erros de mercado fechado. Um robô bem feito trata a recusa e espera; um mal feito repete a ordem sem parar, ou entende a recusa como falha e desliga a proteção junto. Os códigos de recusa e o que cada um quer dizer estão em Os erros do MetaTrader 5 que travam um robô.
E ele não sabe que o dia é diferente. Uma estratégia de reversão compra a queda de 10% porque a regra manda comprar queda; uma de tendência vende porque a regra manda seguir. As duas estão fazendo o que foram testadas para fazer, num dia que talvez nem exista no teste delas.
O que o robô precisa ter
- Stop financeiro do dia, além do stop da operação. O stop da operação é um preço; o do dia é um valor. Quando o preço salta, o do dia é o que limita o estrago na próxima operação. Está em Limite de perda por dia, semana e mês.
- Lote que aguenta o pior dia, e não só o stop normal. Se um salto de quatro vezes o stop quebra a conta, o lote está grande. A conta está em Dimensionamento de posição.
- Day trade zerado no fim do dia. Quem carrega posição carrega também o risco da abertura seguinte, que num período de crise é o maior do mês.
- Uma trava de volatilidade, se a estratégia não foi feita para dias extremos: não operar quando a amplitude do dia passa de um limite. O que é volatilidade e como se mede está em Volatilidade.
O que não fazer no dia
Não religar na mão o que o robô desligou por limite. Não aumentar o lote "porque caiu demais". O dia do circuit breaker é o dia em que o mercado mostra o tamanho verdadeiro do risco, e a regra escrita num dia calmo é mais confiável que a decisão tomada no meio dele.
No Centurion, os stops financeiros por dia, semana e mês, a trava de volatilidade e a ação no horário-limite são blocos da própria estratégia, definidos antes do dia ruim.


