Calendário econômico: as notícias que mexem no mini-índice e o que o robô faz nesses dias
Copom, IPCA, emprego e inflação dos EUA, juros de lá e o vencimento: quando saem, em hora de Brasília, e as três formas de o robô lidar.
Por Marcelo Hoepfner

Há dias em que o mini-índice anda em um minuto o que andaria numa hora. Quase sempre é um número saindo: juros, inflação, emprego. Esses números têm data e hora marcadas, publicadas com antecedência no calendário econômico, e por isso o risco deles pode ser tratado por regra, e não por susto.
As datas que mais pesam
No Brasil
- Copom (Banco Central): oito reuniões por ano. A decisão sobre a Selic sai na quarta-feira, depois do fechamento do pregão, e o mercado reage na abertura de quinta. A ata sai na terça seguinte, de manhã. O efeito dos juros na bolsa está em Juros: o que a Selic faz com a bolsa.
- IPCA (IBGE): a inflação oficial, uma vez por mês, às 9h, antes da abertura.
Nos Estados Unidos (em hora de Brasília, que muda com o horário de verão deles)
- Relatório de emprego (payroll): normalmente na primeira sexta-feira do mês, às 9h30 ou 10h30.
- Inflação ao consumidor (CPI): por volta da metade do mês, no mesmo horário.
- Decisão de juros do Fed (FOMC): oito reuniões por ano, às 15h ou 16h, com a entrevista do presidente do Fed em seguida.
Da própria B3
- Vencimento do mini-índice: nos meses pares, na quarta-feira mais próxima do dia 15. O contrato que vence para de negociar às 17h. Está em Vencimento e rolagem do mini-índice.

O que acontece no minuto da notícia
- O spread abre e o book fica raso por alguns segundos.
- O preço salta, às vezes para os dois lados antes de escolher um.
- O stop desliza: a ordem stop vira a mercado e executa longe. Está em Slippage.
Uma estratégia testada em dias comuns pode perder no minuto da notícia o que ganhou na semana, sem ter errado nada na regra.
As três formas de o robô lidar
- Não operar perto da notícia. Um filtro que pausa a estratégia alguns minutos antes e depois dos horários do calendário. É a mais comum, e a mais simples de testar.
- Operar só a notícia. Estratégias feitas para o salto, com regras próprias de entrada e de risco. São outra estratégia, não um ajuste da de sempre.
- Ignorar, com lote que aguenta. Deixar a estratégia operar normalmente, com o lote e o limite do dia dimensionados para o pior salto. Funciona se o teste incluiu esses dias e mostrou que a estratégia os atravessa.
Qual é a certa depende do teste: separe o resultado da estratégia nos dias e horários de notícia e veja se ela ganha, perde ou só aumenta o risco neles. Veja Filtros que impedem a operação.
Como testar o efeito das notícias na sua estratégia
Antes de decidir entre pausar, operar ou ignorar as notícias, meça:
- Marque no histórico os dias e horários das principais divulgações dos últimos anos (as datas são públicas).
- Separe as operações que aconteceram até 30 minutos antes e depois de cada divulgação.
- Compare três números entre as operações perto de notícia e as outras: o resultado médio, a pior operação e o custo médio (o deslize costuma ser maior perto da notícia).
Se as operações perto de notícia são piores nos três, o filtro de pausa tem motivo. Se são parecidas, o filtro só tira operações. Se são melhores, a estratégia talvez dependa delas, e desligá-las nesses horários mudaria a estratégia.
A regra que sair do teste precisa ser checada fora do período em que você a escolheu, como qualquer filtro.
Onde consultar
Os calendários econômicos gratuitos, das próprias instituições e de sites de mercado, mostram a semana com data, hora e a importância de cada evento. As datas do Copom estão no site do Banco Central; as do Fed, no site dele; as do IPCA, no do IBGE.
No Centurion, o filtro de notícias pelo calendário econômico é um bloco da estratégia, junto com o horário de day trade, a pausa intradiária e os stops financeiros do dia.


