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Quanto ganha um trader? A resposta com dados, não com print

Três traders na mesma palavra: o de mesa, o autônomo e o iniciante. O que os dados dizem, o que se sabe e por que "por dia" é a pergunta errada.

"Quanto ganha um trader" junta na mesma busca três pessoas diferentes: o profissional de mesa, que tem salário e bônus; o autônomo, que vive do resultado da própria conta; e o iniciante, que quer saber quanto vai ganhar por dia. As respostas não têm nada a ver uma com a outra, e a mais procurada (a do iniciante) é a única que tem dados públicos e honestos. Vamos por ela, e depois pelas outras duas.

O iniciante: o que os dados dizem

O estudo "Day Trading for a Living?" (Chague e Giovannetti, FGV EESP, 2020) acompanhou pessoas físicas que começaram a fazer day trade no mini-índice na B3 entre 2013 e 2015. Entre as que persistiram por mais de 300 pregões, 97% perderam dinheiro, e só 1,1% ganhou mais que o salário mínimo da época. Persistir não melhorou a distribuição: quem ficou mais tempo não ganhou mais.

É a resposta para "quanto ganha um trader iniciante": na média, perde. Uma minoria pequena ganha, e uma minoria da minoria ganha o que se chamaria de renda. Os detalhes e o que o estudo não diz estão em Day trade vale a pena?.

O autônomo: o que dá para calcular

Quem vive da própria conta não tem salário; tem o resultado de uma estratégia sobre um capital. A renda é o retorno sobre o capital, e a conta é simples de escrever e dura de fazer: se uma estratégia rende, líquido de custo e de imposto, X% ao ano sobre o capital que ela exige, a renda é X% do capital. Para viver de R$ 10 mil por mês com uma estratégia que rende 30% ao ano líquidos (um número apenas ilustrativo, alto para qualquer histórico longo), o capital precisa ser de R$ 400 mil. E os 30% vêm com uma maior queda no caminho, que o capital também precisa aguentar.

É por isso que "viver de trade" é uma pergunta sobre capital antes de ser sobre habilidade. A conta do capital que uma estratégia exige está em Margem técnica, e a comparação honesta do retorno com o CDI em Comparar um robô com o CDI e o Ibovespa.

Três colunas com os três traders: o de mesa, com salário e bônus e o capital do banco; o autônomo, com a conta de retorno sobre o próprio capital e a maior queda ao lado; o iniciante, com o funil do estudo da FGV e a fatia de 1,1%
Três pessoas na mesma palavra. Só uma tem dados públicos, e eles não são os do anúncio. Ilustração.

O de mesa: o que se sabe

O trader de banco, corretora ou fundo opera o capital da instituição, com limites definidos por uma mesa de risco, e recebe salário mais bônus atrelado ao resultado. Não há fonte pública confiável para o número, e qualquer valor que a gente escrevesse aqui seria chute; o que dá para dizer é a estrutura: a renda dele vem de operar dinheiro alheio, com controle de risco imposto por outros, e o que ele arrisca é o emprego, não o patrimônio. É um trabalho, com contratação e carreira, e não é o que a busca por "trader" na internet costuma prometer.

O trader quantitativo, que aparece nas mesmas buscas com salários de outro país, é um caso ainda mais distante: um pesquisador que constrói modelos para um fundo, com formação em matemática ou computação, e a diferença para o que a pessoa física faz está em Trading quantitativo: o que é e o que não é.

Por que "por dia" é a pergunta errada

Nenhuma estratégia ganha por dia. Ganha por ano, com dias e meses negativos no meio; o dia é um ponto da curva. Quem pergunta quanto ganha por dia está pensando em salário, e o mercado não paga salário: paga a soma de muitas operações, com uma variância que um dia não mostra. A régua está em Day trade com robô quando a meta é o longo prazo.

Os prints de "ganhei R$ 2.000 hoje" são verdadeiros com frequência. O que não aparece é o dia seguinte, e o formato do print como isca está em Golpes com robô de investimento.

O que muda com regra e com robô

Não muda a estatística de quem opera por palpite; muda quem opera por regra. Uma regra testada tem uma expectativa por operação e uma pior fase conhecida, e um programa executa a regra sem as decisões que a estatística do estudo captura: stop pulado, lote dobrado, dia de recuperar. Isso não transforma a renda em salário; transforma a pergunta "quanto ganho por dia" em "quanto rende esta regra por ano, sobre qual capital, com qual queda", que é a única que tem resposta. É como as nossas estratégias na OnTick são apresentadas: ano a ano, com a maior queda e a margem técnica ao lado, e com o aviso de que os números são do backtest, sem corretagem.

A resposta que a gente dá

O trader iniciante, na média, perde; o autônomo ganha uma fração do capital que tem, se tiver uma regra que funcione; o de mesa tem salário, e é outro emprego. Quem quer saber quanto vai ganhar está fazendo a pergunta cedo demais: a ordem é regra, teste, capital, e só então a conta do retorno, que é anual e vem com a queda junto.