ETF: o que é, como funciona e como é o imposto
Um ETF compra um índice inteiro numa cota. Como funciona, o que custa, os tipos (ações, renda fixa, exterior) e por que não tem a isenção de R$ 20 mil.
Por Marcelo Hoepfner

ETF é um fundo que tenta repetir um índice e tem as cotas negociadas na bolsa. Em vez de escolher ações uma a uma, você compra uma cota e passa a ter um pedaço de todas as empresas do índice, na proporção dele. É o jeito mais barato e simples de diversificar dentro da bolsa.
O nome vem do inglês (Exchange Traded Fund, fundo negociado em bolsa), e a ideia vem de uma constatação antiga: a maioria dos fundos que tentam ganhar do índice não consegue, depois das taxas, por muitos anos seguidos. O ETF desiste de tentar e cobra menos por isso.
Como funciona
- Compra e venda como ação, pelo home broker, a qualquer hora do pregão, com código de negociação próprio.
- A cota acompanha o índice. Se o índice sobe 1% no dia, a cota sobe perto de 1%, menos a taxa.
- Taxa de administração anual, descontada no valor da cota. Costuma ser bem menor que a de um fundo ativo.
- Os dividendos das empresas, na maioria dos ETFs brasileiros de ações, são reinvestidos na própria carteira, e aparecem na cota, não na sua conta. Há ETFs que distribuem; o regulamento diz.
Os tipos
- De ações brasileiras: o Ibovespa, as empresas de dividendos, as pequenas empresas. Os índices estão em Os índices da B3.
- De renda fixa: acompanham índices de títulos públicos, por exemplo.
- De índices do exterior: dão exposição a bolsas de fora, com o risco do câmbio junto.

O imposto
Aqui está a diferença que mais surpreende quem vem das ações:
- ETF de ações: 15% sobre o lucro na venda comum, 20% no day trade, por DARF até o último dia útil do mês seguinte. Não tem a isenção de vendas até R$ 20 mil por mês que vale para ações. Vendeu R$ 5 mil de cotas com lucro, paga imposto sobre esse lucro.
- ETF de renda fixa: tem regra própria, com alíquota que depende do prazo médio dos títulos da carteira, e o imposto é retido na venda.
- ETF do exterior negociado na B3: segue a regra dos ETFs brasileiros na venda das cotas.
O que é a isenção dos R$ 20 mil, e para quem ela vale, está em Imposto de renda em ações.
As vantagens e os limites
A favor: diversificação instantânea, custo baixo, nada para escolher, sem o risco de uma empresa só.
Os limites: o ETF repete o índice nos dias bons e nos ruins. Numa queda de 30% do Ibovespa, o ETF dele cai perto de 30%. Ele tira o risco de escolher mal a empresa; não tira o risco da bolsa. E o índice tem as empresas que tem: um ETF de Ibovespa concentra naquilo que o Ibovespa concentra.
Como escolher entre dois ETFs do mesmo índice
Muitos índices têm mais de um ETF. O que separa um do outro:
- A taxa de administração, que sai todo ano.
- O quanto ele acompanha o índice de verdade: compare o retorno do ETF com o do índice nos últimos anos. A diferença, além da taxa, mostra a qualidade da gestão.
- A liquidez: volume diário e spread. Um ETF pouco negociado é mais caro de comprar e vender. Veja Liquidez.
- O que ele faz com os dividendos: reinveste ou distribui.
O peso da taxa no longo prazo, com números inventados
R$ 10.000 aplicados por 20 anos num índice que rende 10% ao ano. Com uma taxa de 0,2% ao ano, o investimento chega a cerca de R$ 64.900. Com uma taxa de 1% ao ano, a cerca de R$ 56.000. A diferença, perto de R$ 8.800, é só a taxa, sem nenhuma diferença de gestão. Em prazos longos, a taxa é o custo que mais pesa, e é o que o ETF tem de menor.
Onde ele entra
Para quem quer bolsa no longo prazo sem escolher ação, o ETF costuma ser a primeira peça, depois da reserva. O resto do caminho está em Como montar uma carteira com pouco dinheiro. E para comparar qualquer estratégia com o índice do jeito certo, veja Comparar um robô com o CDI e o Ibovespa.
Este artigo explica como funciona; não é recomendação de nenhum ETF.


