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Como ler o relatório do Strategy Tester

A tabela do testador tem trinta números e cinco importam. Quais são, o que cada um mede, os três que enganam e a ordem em que ler antes de acreditar.

O testador termina e mostra uma tabela com trinta números. A maioria das pessoas olha o primeiro (o lucro líquido) e decide. É o número que menos diz. Este é o guia da tabela: o que cada linha mede, quais importam, quais enganam, e a ordem em que a gente lê antes de acreditar em qualquer backtest.

Antes da tabela: a curva

A aba Gráfico mostra a curva de saldo (o que fechou) e a de patrimônio (com as posições abertas). Olhe a curva antes de qualquer número:

  • Sobe em degraus parecidos ao longo do período inteiro? Bom sinal.
  • Sobe num salto só e anda de lado o resto? Uma operação ou um mês fez tudo.
  • Reta demais? Suspeito: ou o modo de teste foi generoso, ou o robô olhou o futuro (o candle em formação, um indicador recalculado).
  • Tem uma queda funda? Meça a profundidade e o tempo até o novo pico; é o que a tabela chama de drawdown e não mede em tempo. Sobre o tempo: Tempo de recuperação.

Os cinco que importam

Fator de lucro (Profit Factor). Soma dos ganhos dividida pela soma das perdas. Abaixo de 1, perde. Entre 1 e 1,3, empata com o custo real. Acima disso, começa a interessar, e acima de 3 é para desconfiar. É o número mais completo da tabela, e explicamos como ele se relaciona com os outros em Fator de lucro, payoff e taxa de acerto.

Drawdown máximo do patrimônio (Equity Drawdown Maximal), em valor e em percentual. A maior queda do pico ao fundo. É o número que define o capital necessário e o que decide se você aguenta a estratégia. Use o de patrimônio (equity), não o de saldo: o de saldo ignora a posição aberta, e a pior queda costuma acontecer com posição aberta. Como ler: Drawdown: como ler a perda máxima.

Total de operações (Total Trades). A amostra. Abaixo de 100, a tabela inteira é ruído; a régua está em Quantas operações para julgar um robô.

Resultado esperado (Expected Payoff). O lucro líquido dividido pelo número de operações: quanto cada operação rende em média. É o número que se compara com o custo por operação: se o custo de ida e volta é R$ 1,60 por contrato e o resultado esperado é R$ 2,00, a estratégia vive de R$ 0,40. Sobre o custo: Custo operacional na B3.

Fator de recuperação (Recovery Factor). O lucro líquido dividido pelo drawdown máximo. Quantas vezes a estratégia ganhou a própria pior queda no período. Abaixo de 2 em vários anos é pouco; é um jeito rápido de comparar duas estratégias com resultados diferentes.

A tabela do relatório desenhada com as linhas principais e cinco delas destacadas (fator de lucro, drawdown do patrimônio, total de operações, resultado esperado, fator de recuperação); três linhas marcadas como as que enganam
Trinta números, cinco que decidem, três que enganam. Ilustração.

Os três que enganam

Lucro líquido total (Total Net Profit). Depende do período, do lote e do depósito. Uma estratégia ruim com lote grande e dez anos de teste tem um lucro líquido grande. Só faz sentido dividido pelo tempo e pela queda (é o fator de recuperação).

Taxa de acerto (Profit Trades %). 80% de acerto com payoff 0,2 perde. 35% com payoff 3 ganha. A taxa sozinha não diz nada, e é o número mais usado na propaganda.

Drawdown absoluto (Balance Drawdown Absolute). Quanto o saldo caiu abaixo do depósito inicial. Se a estratégia subiu primeiro e caiu depois, o absoluto é zero, mesmo com uma queda enorme no caminho. É o drawdown que os relatórios de vendedores adoram, porque quase sempre é pequeno. Ignore; use o máximo.

Os que ajudam a entender

  • Ganho médio e perda média (Average profit trade / loss trade): o payoff é a divisão dos dois.
  • Maior ganho e maior perda (Largest): se o maior ganho é um quarto do lucro total, a estratégia é uma operação e o resto.
  • Sequências máximas de ganhos e de perdas (Maximum consecutive): a sequência de perdas é o que o dimensionamento precisa aguentar. Sobre isso: Dimensionamento de posição.
  • Compras e vendas separadas (Short / Long Trades): uma estratégia que só ganha comprada em período de alta não foi testada; foi carregada pelo mercado.
  • Índice de Sharpe: retorno por unidade de variação. Serve para comparar estratégias; o valor absoluto depende de como o testador o calcula (por operação, não por ano), e não se compara com o Sharpe de um fundo.
  • Correlação LR e erro padrão LR: o quanto a curva se parece com uma reta. Correlação perto de 1 é uma curva regular; perto de 0, uma curva de saltos. Explicamos em Desvio padrão e regressão linear no relatório do backtest.
  • Z-score: se ganhos e perdas vêm em sequências além do acaso. Curiosidade estatística; raramente muda uma decisão.

A ordem em que a gente lê

  1. A curva. Regular ou não? Uma queda funda?
  2. Total de operações e período. Há amostra e há anos?
  3. Drawdown máximo do patrimônio. Cabe no capital?
  4. Fator de lucro e resultado esperado, com o custo dentro. Sobra alguma coisa?
  5. Fator de recuperação. Quantas vezes ganhou a pior queda?
  6. Compras e vendas, maior operação, sequências. O resultado depende de uma coisa só?
  7. Só então o lucro líquido, para saber o tamanho, não a qualidade.

E depois de tudo: a aba Operações, para ver se as entradas e os stops estão onde a regra manda. Um relatório bonito com operações erradas é um bug. Como configurar o teste para que o relatório mereça a leitura está em Backtest no MetaTrader 5 hoje.