BDR: o que é, como funciona e o que muda em relação a uma ação brasileira
BDR é o recibo de uma ação de fora negociado na B3, em reais. Como acompanha a ação lá fora, o risco do câmbio e o imposto, sem a isenção de R$ 20 mil.
Por Marcelo Hoepfner

BDR (Brazilian Depositary Receipt) é um certificado negociado na B3 que representa ações de uma empresa de fora do Brasil. Você compra na bolsa brasileira, em reais, pelo mesmo home broker, e passa a ter exposição a uma empresa listada em outro país. Desde 2020, qualquer investidor pode comprar BDRs na B3; antes, a maioria era restrita a investidores qualificados.
Como funciona
Uma instituição compra as ações lá fora, guarda em custódia e emite os recibos aqui. Cada BDR equivale a uma fração ou a um múltiplo da ação original (a proporção está no cadastro do papel). O preço do BDR em reais acompanha dois movimentos ao mesmo tempo:
- O preço da ação lá fora.
- O câmbio. Se a ação fica parada e o dólar sobe 5%, o BDR sobe perto de 5%. Se a ação sobe 5% e o dólar cai 5%, o BDR fica perto de onde estava.

O que muda em relação a uma ação brasileira
- O câmbio entra no resultado, para o bem e para o mal. Para muita gente, é justamente o motivo de comprar: ter uma parte do patrimônio que não depende só do real.
- O horário. O BDR é negociado no horário da B3, mas o preço de referência se forma lá fora. Quando a bolsa de origem está fechada, o BDR pode ficar com pouca negociação e spread largo.
- A liquidez varia muito. BDRs de empresas grandes são bastante negociados; outros quase não. Antes de comprar, veja o volume diário. Veja Liquidez.
- Os proventos. Os dividendos pagos lá fora chegam convertidos, e podem vir descontados do imposto retido no país de origem.
O imposto
- Na venda: 15% sobre o lucro na operação comum, 20% no day trade, por DARF. Não há a isenção de vendas de até R$ 20 mil por mês que vale para ações brasileiras. Está em Imposto de renda em ações.
- Nos dividendos: não têm a isenção dos dividendos de empresas brasileiras. São tributados, com regras próprias de recolhimento e de aproveitamento do imposto pago lá fora. Vale confirmar com quem faz a sua declaração.
O que conferir antes de comprar
- A proporção entre o BDR e a ação original, no cadastro do papel na B3.
- O volume diário e o spread no horário em que você vai operar.
- Se o BDR é patrocinado (a empresa participa do programa) ou não patrocinado (uma instituição emite por conta própria). Muda o volume de informação que chega e alguns detalhes de custódia.
- As taxas que a corretora cobra sobre BDRs, que podem ser diferentes das de ações.
BDR ou ETF do exterior
Para quem quer exposição à bolsa de fora sem escolher empresa, existem ETFs de índices estrangeiros negociados na B3, que funcionam como os ETFs daqui. Estão em ETF: o que é e como funciona. O BDR serve a quem quer uma empresa específica.
Um exemplo com números inventados
Um BDR está a R$ 50. Em um mês, a ação lá fora sobe 10% em dólar, e o dólar cai 4% em relação ao real. O BDR vai para perto de R$ 50 × 1,10 × 0,96 = R$ 52,80: sobe 5,6%, e não os 10% da ação.
No mês seguinte, a ação fica parada e o dólar sobe 5%. O BDR sobe perto de 5%, sem a empresa ter feito nada. Quem compra BDR compra também uma posição em dólar, e precisa querer as duas coisas.
E o viés de ficar em casa
Uma das razões para olhar para fora é o viés de familiaridade: a tendência a deixar tudo no próprio país, que é uma fração pequena das bolsas do mundo. Está em Viés de familiaridade. O BDR é uma das portas mais simples para diversificar isso, com o câmbio como risco a mais.
Este artigo explica como funciona; não é recomendação de nenhum papel.


