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Backtest no Excel: dá para fazer, e onde ele engana

Como testar uma regra de candle fechado numa planilha, passo a passo, e o que ela não simula: o caminho dentro do candle, o custo, o futuro e a execução.

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Muita gente quer testar uma regra antes de aprender qualquer plataforma, e a planilha está ali. Dá para fazer um backtest no Excel, e é um bom exercício: obriga a escrever a regra em fórmulas, que é o que ela precisa ser. Mas a planilha tem limites que um simulador não tem, e quem não os conhece produz um resultado bonito e falso. Aqui está o passo a passo e a lista do que ele engana.

O que a planilha consegue

Regras decididas no fechamento do candle, com entrada e saída no fechamento (ou na abertura seguinte): cruzamento de médias, rompimento do fechamento anterior, IFR abaixo de 30, posição do fechamento na faixa. Tudo o que se calcula a partir de abertura, máxima, mínima, fechamento e volume por candle.

Passo a passo

  1. Os dados. Exporte o histórico do ativo (data, hora, abertura, máxima, mínima, fechamento, volume) da sua plataforma; o MetaTrader 5 exporta em CSV pela janela de símbolos. Uma linha por candle, do mais antigo ao mais novo.
  2. O indicador. Uma coluna por cálculo. Média de 20: =MÉDIA(F2:F21) arrastada. IFR, bandas e o resto seguem a fórmula de cada um; os artigos deste blog trazem as contas.
  3. O sinal. Uma coluna que vale 1 quando a regra de compra é verdadeira no fechamento do candle, −1 para venda, 0 para nada. Exemplo: =SE(E(G2>H2;G1<=H1);1;0) para "a média curta cruzou a longa para cima".
  4. A posição. Uma coluna que carrega o estado: entrou no sinal, sai no sinal contrário ou depois de N candles. É a coluna que mais dá erro, porque a posição de hoje depende da de ontem.
  5. O resultado por candle. Posição de ontem vezes a variação do fechamento de hoje, em pontos, vezes o valor do ponto. Somado, é a curva de capital.
  6. O custo. Subtraia um custo fixo em pontos em cada entrada e cada saída. Sem essa coluna, a planilha mente.
  7. Os números. Total, número de operações, taxa de acerto, ganho e perda médios, maior queda (o mínimo da diferença entre a curva e o máximo acumulado até ali: =E2-MÁXIMO(E$2:E2)).
Uma planilha desenhada com as colunas: data, abertura, máxima, mínima, fechamento, média, sinal, posição, resultado, custo e curva; a coluna da posição destacada como a que carrega o estado, e a da curva com a queda máxima marcada
Cada coluna é uma parte da regra. A da posição é a que mais engana; a do custo é a que mais se esquece. Ilustração.

Onde a planilha engana

1. O caminho dentro do candle. A planilha só conhece os quatro preços do candle. Se o seu stop e o seu alvo estão dentro da amplitude do mesmo candle, ela não sabe qual foi tocado primeiro. Toda regra com stop intradiário (o day trade inteiro) precisa disso, e a planilha resolve escolhendo o pior caso (assume o stop) ou ignorando (assume o alvo, e o resultado fica otimista). O simulador com ticks reais sabe a ordem. É a diferença que explicamos em Backtest no MetaTrader 5 hoje.

2. O olhar para o futuro. O erro mais comum e mais invisível: uma fórmula que usa o fechamento do candle para decidir uma entrada na abertura do mesmo candle, ou uma média calculada com a linha atual incluída quando a decisão é tomada antes de ela fechar. Na planilha, "olhar uma linha à frente" é um deslize de célula. O resultado fica espetacular, e a regra não existe. Confira cada fórmula perguntando: "no momento da decisão, esse número já era conhecido?".

3. O custo e a execução. Um custo fixo em pontos é uma aproximação; o deslize real varia com o horário e o lote, e uma ordem limitada que "tocou" o preço pode não ter sido preenchida. A planilha não tem book. O que muda entre o teste e a conta está em Backtest, conta demo e conta real.

4. O ajuste ao passado. A planilha torna fácil mudar um parâmetro e ver o total subir. É a porta de entrada do overfitting, sem o walk-forward que um simulador oferece. As regras para não se enganar estão em Otimização de parâmetros e overfitting.

Quando a planilha basta

Para uma regra de candle fechado, em tempo gráfico diário ou de horas, sem stop intradiário, com o custo dentro e sem fórmula que olha para a frente, a planilha dá uma primeira resposta honesta: a regra tem alguma coisa, ou não tem. É um filtro, não uma prova.

Para day trade no mini-índice, com stop e alvo em pontos, ela não basta: o caminho dentro do candle é o que decide, e só um simulador com ticks reais o conhece. O passo seguinte é levar a regra para o testador, e o que muda de lá para a conta está em Backtest, forward test e walk-forward.

O que a planilha ensina, mesmo assim

Escrever a regra em fórmulas expõe o que estava vago: "compra quando parecer forte" não vira célula. Quem faz um backtest no Excel, mesmo que descarte o resultado, sai com uma regra escrita, e é dela que o simulador, e depois o robô, precisam. O que uma regra precisa ter para virar código está em Da estratégia manual ao robô.