Quanto custa ter conta numa corretora: corretagem, custódia, emolumentos e o que não aparece
Corretagem, custódia, emolumentos e liquidação da B3, ISS e o custo que não aparece na nota: o spread. Como comparar corretoras pelo custo total.
Por Marcelo Hoepfner

"Corretagem zero" virou argumento de venda, e o resultado é que muita gente acha que investir pela corretora é de graça. Não é. Há custos que a corretora cobra, custos que a bolsa cobra e custos que ninguém cobra de forma visível, mas que saem do seu resultado. Este artigo lista todos, sem citar corretora nenhuma, para você comparar pelo total.
O que a corretora pode cobrar
- Corretagem: por ordem executada. Muitas zeraram para ações e ETFs; algumas cobram em futuros, em opções ou em planos específicos. No mini-índice e no mini dólar, a corretagem pode ser por ordem, por contrato ou por volume, e a diferença muda muito a conta de quem opera com lote maior.
- Taxa de custódia: pela guarda dos ativos. Muitas não cobram; algumas cobram por mês ou por ano.
- Plataforma: algumas plataformas de negociação avançadas são pagas, por mês.
- ISS: imposto municipal sobre o serviço de corretagem, quando há corretagem.
O que a bolsa cobra
- Emolumentos e taxa de liquidação: a B3 cobra uma fração pequena do valor de cada negócio, em qualquer corretora. Não há como zerar: é o preço de usar a bolsa. A tabela está no site da B3.
- Nos futuros, os emolumentos são por contrato, e fazem parte do custo por operação de quem opera mini-índice: Custo operacional na B3.
O que ninguém cobra, e você paga
- Spread: a diferença entre o melhor preço de compra e o melhor de venda. Quem compra a mercado paga o preço de venda; quem vende a mercado recebe o de compra. Em ativos pouco negociados, o spread é o maior custo de todos. Veja Liquidez.
- Deslize: a diferença entre o preço que você queria e o que executou, em ordens a mercado e stops. Está em Slippage.
- Taxas dos produtos: a taxa de administração do fundo ou do ETF, que você não vê na nota, mas vê na rentabilidade.
- O spread na renda fixa: em títulos comprados pela corretora, o rendimento oferecido já pode vir com a margem dela embutida. Compare a taxa do mesmo título em mais de um lugar.

Como comparar pelo custo total
- Liste o que você faz de verdade: quantas ordens por mês, em que ativos, com que lote.
- Some tudo por mês: corretagem, custódia, plataforma, e uma estimativa de spread e deslize pelo tipo de ativo e ordem.
- Compare o total, não a taxa que aparece no anúncio. Corretagem zero com plataforma paga pode sair mais cara que corretagem baixa com plataforma grátis, dependendo do seu uso.
- Para quem opera futuros, divida o custo total por operação por R$ 0,20 e veja quantos pontos de mini-índice cada operação precisa ganhar só para empatar. Está em Custo operacional na B3.
Dois perfis, dois custos que pesam, com números inventados
Quem investe no longo prazo: quatro compras de R$ 1.000 por mês, em ETF e fundos imobiliários. Com corretagem zero, os custos do mês são os emolumentos (centavos) e o spread de cada compra (alguns centavos por cota). O que pesa de verdade, para esse perfil, é a taxa de administração dos produtos, que sai todo ano sobre o patrimônio inteiro.
Quem opera mini-índice: 40 operações por mês, com 2 contratos. Emolumentos por contrato nas duas pontas, corretagem (se houver) e, principalmente, spread e deslize: um tick de deslize por ponta são R$ 2,00 por contrato por operação, R$ 160 no mês. Para esse perfil, o custo que decide é o da execução, e a corretagem zero pode ser o menor dos itens.
A mesma corretora pode ser barata para um perfil e cara para o outro. Por isso a comparação começa pelo que você faz.
E o que não é custo, mas pesa na escolha
A segurança do dinheiro na corretora, o que acontece se ela quebrar e como transferir os ativos para outra estão em Se a corretora quebrar e em Transferir ações entre corretoras. Para quem usa MetaTrader 5, a lista do que conferir numa corretora está em Corretoras com MetaTrader 5 na B3.


