Como transferir ações entre corretoras sem vender nada
A transferência de custódia leva ações, FII, ETF e Tesouro para outra corretora sem venda e sem imposto. O passo a passo e o cuidado com o preço médio.
Por Marcelo Hoepfner

Trocar de corretora não exige vender a carteira. Os ativos podem ser levados de uma para outra por uma transferência de custódia: eles saem da guarda de uma corretora e passam para a guarda da outra, continuando no seu nome o tempo todo. Não há venda, não há compra, e por isso não há imposto sobre a transferência.
O que dá para transferir
- Ações, FII, ETF e BDR: pela transferência de custódia na B3.
- Títulos do Tesouro Direto: por uma transferência própria, feita entre as instituições.
- CDB, LCI, LCA e fundos: em geral, não se transferem do mesmo jeito. Muitos ficam onde foram comprados até o vencimento ou o resgate. Vale perguntar às duas corretoras antes.
- Contratos futuros abertos, como o mini-índice: a transferência de posição é mais complicada e nem toda corretora faz. Quem opera day trade não tem esse problema; quem carrega posição, pergunte antes ou zere.
O passo a passo
- Abra a conta na corretora de destino e anote os dados dela (o código da corretora na B3 e o número da sua conta nela).
- Peça a transferência na corretora de origem, por um formulário de transferência de custódia (muitas chamam de STVM) ou pela plataforma. Informe os ativos e as quantidades, ou peça a transferência total.
- Acompanhe: a transferência costuma levar poucos dias úteis. Os ativos saem de uma conta e aparecem na outra, e você pode conferir pela área do investidor da B3.
- Confira a chegada, ativo por ativo, quantidade por quantidade.
A transferência costuma ser gratuita, mas algumas corretoras cobram; confira antes.

O preço médio: a parte que exige atenção
A transferência não muda o seu preço médio de compra, que é a base do imposto quando você vender. Mas a corretora de destino não sabe qual era ele: ela vê os ativos chegando, sem o histórico de compras. Muitas registram o preço do dia da transferência, que está errado para fins de imposto.
O preço médio que vale é o seu, calculado com todas as compras e taxas, desde o começo. Guarde as notas de corretagem e os extratos da corretora de origem antes de sair dela. Como o preço médio entra no imposto está em Imposto de renda em ações.
Um exemplo do preço médio, com números inventados
Você comprou 100 ações a R$ 10 e depois 100 a R$ 14: preço médio de R$ 12, sem contar taxas. No dia da transferência, a ação vale R$ 18. Se a corretora de destino registrar R$ 18 como custo e você vender a R$ 20, o lucro que ela mostra é R$ 2 por ação; o lucro real, para o imposto, é R$ 8. Declarar pelo número dela é pagar menos imposto do que deve, com o risco que isso tem. O número que vale é o seu.
Proventos durante a transferência
Dividendos e rendimentos com data de pagamento durante a transferência podem cair na corretora de origem, mesmo depois de os ativos terem saído. Não se perdem, mas é preciso acompanhar e, se for o caso, transferir o saldo.
Antes de pedir a transferência
- Baixe e guarde as notas de corretagem e os extratos de posição da corretora de origem, de todos os anos.
- Anote o preço médio de cada ativo, com as taxas.
- Veja se há proventos anunciados para os próximos dias, que podem cair na corretora antiga.
- Confirme se a corretora de destino aceita todos os ativos que você tem (alguns BDRs e fundos têm restrições).
- Não opere os ativos durante a transferência: eles podem ficar indisponíveis por alguns dias.
- Confira a chegada na área do investidor da B3 antes de encerrar a conta antiga.
Quando vale trocar
- Custos mais baixos para o que você faz de verdade: Custos de uma conta na corretora.
- Plataforma ou produtos que a sua corretora não tem. Para quem usa MetaTrader 5 na B3, a lista está em Corretoras com MetaTrader 5 na B3.
- Segurança: concentrar tudo numa instituição que você não conhece bem. O que acontece se ela quebrar está em Se a corretora quebrar.


