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Como transferir ações entre corretoras sem vender nada

A transferência de custódia leva ações, FII, ETF e Tesouro para outra corretora sem venda e sem imposto. O passo a passo e o cuidado com o preço médio.

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Trocar de corretora não exige vender a carteira. Os ativos podem ser levados de uma para outra por uma transferência de custódia: eles saem da guarda de uma corretora e passam para a guarda da outra, continuando no seu nome o tempo todo. Não há venda, não há compra, e por isso não há imposto sobre a transferência.

O que dá para transferir

  • Ações, FII, ETF e BDR: pela transferência de custódia na B3.
  • Títulos do Tesouro Direto: por uma transferência própria, feita entre as instituições.
  • CDB, LCI, LCA e fundos: em geral, não se transferem do mesmo jeito. Muitos ficam onde foram comprados até o vencimento ou o resgate. Vale perguntar às duas corretoras antes.
  • Contratos futuros abertos, como o mini-índice: a transferência de posição é mais complicada e nem toda corretora faz. Quem opera day trade não tem esse problema; quem carrega posição, pergunte antes ou zere.

O passo a passo

  1. Abra a conta na corretora de destino e anote os dados dela (o código da corretora na B3 e o número da sua conta nela).
  2. Peça a transferência na corretora de origem, por um formulário de transferência de custódia (muitas chamam de STVM) ou pela plataforma. Informe os ativos e as quantidades, ou peça a transferência total.
  3. Acompanhe: a transferência costuma levar poucos dias úteis. Os ativos saem de uma conta e aparecem na outra, e você pode conferir pela área do investidor da B3.
  4. Confira a chegada, ativo por ativo, quantidade por quantidade.

A transferência costuma ser gratuita, mas algumas corretoras cobram; confira antes.

Duas corretoras lado a lado e, entre elas, os ativos passando por dentro da B3, sempre com o seu CPF marcado; embaixo, as três coisas que não acontecem na transferência: venda, compra e imposto, e a coisa que precisa ser conferida: o preço médio
Os ativos mudam de guarda, não de dono. Ilustração.

O preço médio: a parte que exige atenção

A transferência não muda o seu preço médio de compra, que é a base do imposto quando você vender. Mas a corretora de destino não sabe qual era ele: ela vê os ativos chegando, sem o histórico de compras. Muitas registram o preço do dia da transferência, que está errado para fins de imposto.

O preço médio que vale é o seu, calculado com todas as compras e taxas, desde o começo. Guarde as notas de corretagem e os extratos da corretora de origem antes de sair dela. Como o preço médio entra no imposto está em Imposto de renda em ações.

Um exemplo do preço médio, com números inventados

Você comprou 100 ações a R$ 10 e depois 100 a R$ 14: preço médio de R$ 12, sem contar taxas. No dia da transferência, a ação vale R$ 18. Se a corretora de destino registrar R$ 18 como custo e você vender a R$ 20, o lucro que ela mostra é R$ 2 por ação; o lucro real, para o imposto, é R$ 8. Declarar pelo número dela é pagar menos imposto do que deve, com o risco que isso tem. O número que vale é o seu.

Proventos durante a transferência

Dividendos e rendimentos com data de pagamento durante a transferência podem cair na corretora de origem, mesmo depois de os ativos terem saído. Não se perdem, mas é preciso acompanhar e, se for o caso, transferir o saldo.

Antes de pedir a transferência

  1. Baixe e guarde as notas de corretagem e os extratos de posição da corretora de origem, de todos os anos.
  2. Anote o preço médio de cada ativo, com as taxas.
  3. Veja se há proventos anunciados para os próximos dias, que podem cair na corretora antiga.
  4. Confirme se a corretora de destino aceita todos os ativos que você tem (alguns BDRs e fundos têm restrições).
  5. Não opere os ativos durante a transferência: eles podem ficar indisponíveis por alguns dias.
  6. Confira a chegada na área do investidor da B3 antes de encerrar a conta antiga.

Quando vale trocar