Robôs de investimento

Operar na mão ou automatizado: as diferenças que importam

Não é uma questão de qual é melhor. É de onde a pessoa acrescenta valor e onde ela atrapalha. O que muda na decisão, na execução, no risco e no tempo.

A discussão costuma vir como torcida: o operador discricionário acha o robô burro, quem usa robô acha o discricionário emocional. Os dois têm razão em parte, e nenhum dos dois está falando da diferença que importa. A diferença que importa é o que cada um faz bem e o que cada um faz mal, e ela cabe em quatro pontos.

1. A decisão

Quem opera na mão decide a cada momento, com tudo o que vê: o gráfico, o book, a notícia, a sensação de que "hoje o mercado está estranho". Isso é a maior vantagem e o maior problema do discricionário: ele lê contexto que nenhuma regra captura, e também lê coisas que não existem.

O robô decide por regra fixa. Ele não vê contexto que a regra não descreve, e não inventa contexto. Numa situação que a regra não previu (um evento fora da curva, um leilão, uma notícia), ele faz o que sempre faz, para o bem e para o mal.

Na prática: o discricionário tem dias geniais e dias desastrosos, e não sabe de antemão qual é qual. O robô tem o mesmo dia todo dia.

2. A execução

Aqui não tem empate. Executar é cansativo, repetitivo e exige velocidade, e a pessoa piora ao longo do dia: hesita depois de uma perda, se apressa depois de um ganho, esquece o stop, mexe no alvo. O robô executa a regra igual às 9h05 e às 17h50, com a mesma precisão, sem se lembrar da operação anterior.

Se você já sabe o que deveria fazer e não faz na hora, o seu problema é de execução, e é o problema que a automação resolve melhor. O Dias de Fúria no Mercado é sobre o que acontece na cabeça nesse momento, e por que o botão fica tão longe.

3. O risco

O discricionário controla o risco por disciplina, e disciplina é um recurso que acaba. O limite de perda do dia existe na cabeça até o dia em que a pessoa decide "recuperar". O robô controla o risco por regra: atingiu o limite, parou. Não negocia, não tenta mais uma.

Isso não faz o robô mais seguro por definição. Um robô com regra de risco mal feita (sem limite diário, com lote grande demais) perde com a mesma disciplina com que ganha. O ponto é que o risco de um robô é o que está escrito, e dá para ler antes de ligar; o risco de um discricionário é o que ele vai fazer no pior dia, e ninguém sabe.

4. O tempo

Operar na mão é um emprego de tela: horas por dia, no horário do pregão, todos os dias. Para quem tem outro trabalho, não é uma opção; para quem não tem, é um custo real. O robô devolve esse tempo: a execução acontece sem você, e o que sobra é o acompanhamento, que cabe em minutos por dia.

O tempo devolvido tem um risco próprio: a tentação de usá-lo para mexer no que está rodando. O robô que mais perde não é o que tem a regra pior; é o que tem o dono mais presente.

Duas colunas: na mão, a decisão vê contexto mas a execução cansa e o risco depende de disciplina; automatizado, a decisão é fixa, a execução é igual todo dia e o risco é o que está escrito
Onde a pessoa ajuda e onde atrapalha. A automação troca o julgamento do momento pela regra escrita antes.

O que não muda

Nos dois casos, a estratégia precisa existir e ter sido testada. O discricionário que "sente" o mercado sem ter uma regra testada é um apostador com gráfico; o robô com uma regra que nunca passou por backtest é um apostador sem gráfico. Estratégia, capital dimensionado e regra de acompanhamento são obrigação de qualquer um dos dois.

E nos dois casos a perda existe. O robô não elimina a sequência de perdas de uma estratégia; elimina a segunda perda, a que a pessoa acrescenta quando desliga no fundo. Sobre a primeira, a que faz parte, falamos em Não existe estratégia infalível.

Os dois jeitos de automatizar

Se a conclusão for automatizar, existem dois caminhos, e eles servem a pessoas diferentes.

O primeiro é usar estratégias prontas: você não escreve regra nenhuma, escolhe pelo histórico e liga. Na TraderBot, são as nossas estratégias e portfólios na OnTick, que rodam na plataforma e operam na sua conta na corretora.

O segundo é transformar a sua própria forma de operar em regra. Quem opera na mão há anos costuma ter um setup que funciona e uma execução que falha; escrever esse setup como condição e deixar uma máquina executar é o caminho natural. Na TraderBot, é o Centurion: a estratégia montada em blocos, sem programar, executada no seu MetaTrader 5. Sobre o que precisa estar escrito antes de programar, falamos em Algotrading: por onde começar.

Uma pergunta para decidir

Não é "sou bom ou ruim operando?". É: onde eu perco dinheiro hoje: na decisão ou na execução? Quem perde na decisão precisa de uma estratégia melhor, na mão ou no robô. Quem perde na execução, e é a maioria, precisa tirar a mão do botão. O robô é a forma mais barata de fazer isso.